domingo, 26 de dezembro de 2010

COM.te ÁLVARO MELO MACHADO


Melo Machado presidindo aos trabalhos da Sessão Inaugural da FAEP, em 19 de Novembro de 1949


Álvaro Melo Machado é por todos considerado o Pioneiro do Escotismo português.
Governador de Macau ao tempo do aparecimento do Escotismo, foi o seu introdutor naquele território e logo se deixou conquistar pelos ideais do Movimento, que passou a fazer parte da sua própria vida, vindo a prosseguir na sua divulgação após o regresso a Portugal, onde promoveu a criação do Grupo n. 2 e participou na fundação da Associação dos Escoteiros de Portugal, da qual foi o primeiro Escoteiro Chefe Geral. Foi também responsável pela criação do Grupo n. 10, em Lourenço Marques, quando as suas funções oficiais o levaram a Moçambique.
Foi, ainda, um grande divulgador do Escotismo, através da sua acção em conferências e pelos numerosos artigos publicados em diversos jornais.
Participou na fundação da Fraternal dos Antigos Escoteiros, tendo sido eleito para a sua Presidência após a constituição em 11 de Março de 1950.

Da nossa história…(9)

Os gloriosos anos vinte(apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)


A Associação dos Escoteiros de Portugal tivera no princípio da década de vinte uma profunda transformação, graças ao Dr. Tovar de Lemos que assumiu a orientação do Movimento, pondo ao seu serviço toda a sua competência, energia e prestígio. Formou novos dirigentes e relacionou o Escotismo com personalidades de elevado prestígio, envolvendo nele o interesse do Governo e do Chefe do Estado.

Toda a década de vinte foi assinalada por enorme progresso e realizaram-se actividades importantes, com participação activa em muitos acontecimentos escoteiros, até de carácter internacional.

Agosto de 1924 – II Jambori Mundial e II Conferência Internacional do Escotismo
Neste grande acontecimento, que teve lugar na Dinamarca, a AEP fez-se representar pelos dirigentes Henrique de Barros, Dinis Curson e Joaquim Duarte Borrego, que participaram na Conferência e ainda os dirigentes Manuel Borrego e Albano da Silva, que participaram como observadores. Todos estiveram presentes no Jamboori, no qual tomaram parte cinco mil escoteiros de 35 países.

Esta Conferência Internacional ficou célebre, pela Conclusão nela aprovada:

“A Conferência Internacional do Escotismo, reunida em Cope-nhaga em Agosto de 1924, declara que o Escotismo é obra de carácter Nacional, Internacional e Universal, e o seu objectivo é dotar cada uma das nações, e todo o Mundo em geral, de jovens que sejam física, moral e espiritualmente fortes.
“É NACIONAL, porque visa, por meio de organismos nacionais, dotar cada nação de cidadãos úteis e válidos.
“É INTERNACIONAL visto que não reconhece fronteiras às boas relações entre escoteiros.
“É UNIVERSAL, porquanto procura insistentemente incutir o sentimento de fraternidade universal aos escoteiros de todas as nações, classes e crenças. O Escotismo não pretende de forma nenhuma enfraquecer, mas antes fortalecer, as crenças religiosas individuais. A Lei do Escoteiro requer que este pra-tique real e sinceramente a sua religião, e a orientação da Obra proíbe toda a espécie de proselitismo em reuniões mistas”.


I Conferência Nacional de Escotismo - 31 de janeiro e 1 de Fevereiro de 1925
Teve lugar na Câmara Municipal de Lisboa, com a presença de numerosas entidades oficiais e particulares, tendo a sessão inaugural sido presidida pelo dr. João de Barros, ministro da República.
Foi notável o êxito alcançado por esta 1ª Conferência Nacional do Escotismo, que teve o seguinte programa:
O Escotismo e a preparação militar, tese apresentada pelo coronel do Estado-Maior Henrique Pires Monteiro, professor da Escola Militar e membro do Conselho Nacional da AEP.
O intercâmbio com o estrangeiro nas instituições portuguesas de educação pelo sistema de Baden-Powell, tese defendida pelo dr. Dinis Curson, escoteiro chefe e ex-comissário das relações internacionais da AEP.
Necessidade da preparação teórica dos dirigentes escoteiros, tese do engº. Henrique de Barros, escoteiro chefe e comis-sário das relações internacionais da AEP.
O sistema das insígnias, tese apresentada pelo dr. Alfredo Tovar de Lemos. Comissário nacional da AEP.
Recrutamento dos Chefes e seu treino, tese também apresentada pelo dr. Tovar de Lemos.
A influência Social do Escotismo, tese defendida pelo escoteiro-chefe Marcelo Alves Caetano.
Da Viabilidade e eficácia do Escotismo em Portugal, tese do dr. Álvaro Viana de Lemos, Professor da Escola Normal de Coimbra.
Campos de Jogos, tese apresentada por Eduardo Moreira, secretário-geral da ACM do Porto e comissário de zona da AEP.
As conclusões destas teses, aprovadas pela Conferência, constituíram um precioso repositório de orientação para o Escotismo em Portugal.

13-23 de Agosto de 1927 – 1º Acampamento Nacional
Teve lugar na Mata de Queluz e funcionou, também como Escola de Guias, dado o empenhamento na formação que do-minava nos meios dirigentes da AEP.
Foi uma actividade muito importante, que veio evidenciar o desenvolvimento alcançado pela Associação, depois das transformações operadas após a entrada do dr. Tovar de Lemos
Inicialmente tratado como se fora um Campo da Escola de Guias, pelo número de escoteiros e dirigentes presentes, pelas actividades realizadas, pelo interesse que despertou tanto nas entidades oficiais como no público, esta actividade veio a ser considerada, nos registos da AEP, o seu 1º Acampamento Nacional.
Compareceram os grupos nºs. 1, 2, 5, 7, 9, 11, 25 e 40, de Lisboa; delegações do Porto, Coimbra, Figueira da Foz, Algarve, Oliveira de Azemeis, Seixal, Torres Novas e Torres Vedras.
Os escoteiros da Escola de Guias constituíram-se em cinco patrulhas, para instrução e serviço ao acampamento.

4 de Março de 1929 - A primeira visita de B.P. a Lisboa
Vindo de um cruzeiro do Mediterrâneo e ilhas do Atlântico, o paquete “Duchesse of Richmond” atracou ao cais da Rocha de Conde de Óbidos, pelas 6 horas da tarde daquele dia 4 de Março. No mastro principal do navio sobe a flâmula do Escoteiro Chefe Mundial. No cais, encontravam-se numerosas representações de escoteiros e muito público. Uma guarda de honra constituída pelos Escoteiros de Portugal e seus convidados: Corpo Nacional de Scouts e Adueiros de Portugal.
Baden-Powell sobe à ponte de comando e recebe a entusiástica saudação dos escoteiros portugueses, enquanto a multidão se agita e ovaciona o Fundador do Escotismo. Subiram então a bordo: representantes do Governo Português; dr. Tovar de Lemos, Albano da Silva e Sigvald Wiborg, respectivamente, comissário nacional, secretário-geral e comissário internacional da AEP; coronel Godfrey T. Pope, sobrinho de B.P. e grande amigo e colaborador dos Escoteiros de Portugal; dr. Weiss de Oliveira, representante do CNS; Roberto Moreton, presidente do Grupo n. 1 e outros dirigentes das três associações portuguesas.
No dia seguinte, acompanhado de dirigentes dos Escoteiros de Portugal, B.P. visitou em Cascais o Presidente da República, general Óscar Carmona. À tarde, concentraram-se na Praça do Comércio 700 rapazes em representação das três associações e organizou-se um desfile que subiu a Rua Augusta e percorreu várias ruas da cidade. O público abriu alas e aplaudiu a passagem dos escoteiros. B.P. recebeu as honras dos escoteiros, ao lado do dr. Tovar de Lemos, a uma varanda da Escola Nacional, que então existia na antiga Rua Eugénio dos Santos (hoje Portas de Santo Antão). O cortejo seguiu até à Sociedade de Geografia, onde já se encontravam as raparigas (guias da AEP) e os lobitos de Carcavelos. A Sala de Portugal ficou literalmente cheia e as galerias estavam repletas de uma escolhida assistência. Ao entrar na sala, B.P. foi acolhido com uma estrondosa ovação.
Constituída a Mesa, a que presidiu o Conde de Penha Garcia, presidente da Sociedade de Geografia, ladeado por B.P., dr. Tovar de Lemos, almirante Ernesto de Vasconcelos e coman-dante Álvaro de Melo Machado.
O Conde de Penha Garcia, depois de saudar o visitante em inglês, proferiu em português um brilhante discurso, enalte-cendo a obra educativa de Baden-Powell, findo o qual lhe entregou o diploma de sócio honorário da Sociedade de Geo-grafia. Saudaram o visitante os drs. Weis de Oliveira, pelo CNS e Alexandrino dos Santos, pelos Aduaeiros de Portugal, tendo terminado o dr. Tovar de Lemos, comissário nacional da AEP.
Baden-Powell, profundamente sensibilizado, proferiu então uma saudação aos escoteiros portugueses, que Roberto Moreton traduziu:
“Sinto-me verdadeiramente satisfeito por estar entre os meus irmãos escoteiros portugueses, lamentando que a visita seja tão curta. Levarei saudades de vós e da boa impressão do vosso gentil acolhimento. Dentro em pouco, terei de partir, porque o vapor não espera por ninguém.
“Antes, porém, de partir, escoteiros, eu quero deixar-vos três conselhos:
“1º. Deveis procurar, por todas as formas e em toda a parte, cumprir a Lei do Escoteiro.
“2º. Deveis dizer no vosso coração – o meu país é grande, mas hei-de fazê-lo maior ainda.
“3º. Todos vós deveis ser amigos dos escoteiros dos outros países”.

Lembrou que ia realizar-se em Birkenhead, na Inglaterra, um Jambori de 30.000 escoteiros e manifestou o desejo de ver ali os rapazes de Portugal. Terminou saudando os portugueses em nome dos “Boy Scouts” britânicos. B.P. retirou-se de imediato e seguiu para a Rocha do Conde de Óbidos, onde embarcou 5 minutos antes da saída do vapor. Às 19h00 o “Duchess of Richmond largava a caminho de Inglaterra.


B.P. em Lisboa, ladeado por Tovar de Lemos, Albano da Silva e Weiss Oliveira

Agosto de 1929 – O III Jambori Mundial
Os escoteiros portugueses não quiseram decepcionar B.P., quando na sua visita a Lisboa manifestou o desejo de os ver em Birkenhead, no III Jambori. Em 28 de Julho de 1929, embarcaram no paquete “Andes” cinquenta escoteiros, sendo 25 da AEP e outros 25 do CNS, graças às facilidades concedidas pela Mala Real Inglesa, depois das diligências feitas por Roberto Moreton e Godfrey Pope.
Este Jambori foi designado da “Maioridade”, pela comemo-ração dos 21 anos do Escotismo. Foi muito apreciada a pre-sença de Portugal. O coronel Wilson fez as melhores refe-rências aos escoteiros portugueses e Baden-Powell recordou com muita satisfação a visita que meses antes fizera a Lis-boa, a boa impressão que lhe causara o nosso Escotismo e que muito o penhorava a sessão de despedida na Sociedade de Geografia.
Um acontecimento memorável marcou esta grande reunião. Por iniciativa das duas associações da Dinamarca, estava a correr pelos escoteiros de todo o mundo uma subscrição (cada escoteiro não podia concorrer com mais de dois pence, ou equivalente) para oferecer a B.P. uma prenda significativa pelos vinte e um anos do Escotismo. Toda esta organização foi conservada em segredo mas, para eleger o objecto a oferecer, os dinamarqueses procuraram Lady Baden-Powell e pediram-lhe que, sem dizer para quê, se informasse junto do Chefe. qual seria a oferta que gostaria de receber. Ele pensou um pouco, agradeceu a amabilidade e, depois de recusar, perante a insistência respondeu, com bom humor: “Sim, é verdade os meus suspensórios estão velhos; se quiserem oferecer-me um par, ficarei agradecido”.
Foi assim que, durante o Jambori da Maioridade, B.P. recebeu um par de suspensórios e um automóvel “Rolls-Royce”, com reboque para campismo, oferta dos escoteiros de todo o mundo. É hoje uma peça do Museu de B.P.

V Conferência Internacional do Escotismo
Logo a seguir ao Jambori, realizou-se a V Conferência Inter-nacional, no castelo de Arrow Park, também em Birkenhead. Foram delegados à Conferência: dr. Tovar de Lemos, Albano da Silva e Joaquim Duarte Borrego, pelos Escoteiros de Por-tugal, e D. José de Lencastre, dr. Avelino Gonçalves e dr. Weiss de Oliveira, pelo Corpo Nacional de Scouts.

Da nossa história…(8)

Nova fase da Associação dos Escoteiros de Portugal (apoiada na História dos Escoteiros de Portugal, de Eduardo Ribeiro)


Rev. Eduardo Moreira á esquerda


Dr. Tovar de Lemos


No final de 1920 a vida associativa não era famosa. Eduardo Moreira, um dos dirigentes de mais elevada estatura intelectual que serviram o escotismo, que era, ao tempo, o secretário da AEP, conta mais tarde, com a sua reconhecida modéstia, como promoveu a reviravolta que veio a operar-se na Associação.

“… vi-me só, como secretário de uma Direcção que havia perdido todos os seus elementos directivos. Então, com o dr. Joaquim Fontes, foram longos serões de trabalho e preocupação. Também recebemos preciosa ajuda do dr. Dinis Curson, que ficou nas minhas recordações como um grande amigo do Escotismo… depois, veio o dr. Tovar de Lemos e a coisa entrou nos eixos. Tive a honra de ir pedir-lhe o favor de nos acudir, já que a associação estava, como se pode dizer, na minha algibeira…”

Estava-se em 1921, Tovar de Lemos tomou posse como Presidente e Escoteiro Chefe Geral e chamou ao Movimento colaboradores válidos, procurando preencher todos os cargos, por forma a dinamizar os Escoteiros de Portugal.
Convidou personalidades de grande prestígio para o desempenho dos cargos de Comissários Regionais, tendo nomeado o General Craveiro Lopes (mais tarde Marechal e Presidente da República) para comissário na Índia; o capitão Ismael Mário Jorge, para Moçambique; o 1º tenente Vasco Lopes Alves, para Angola; o dr. António A. Riley da Mota, para P. Delgada; o 1º tenente Gabriel Maurício Teixeira, para o Porto; o professor Álvaro Viana de Lemos, para Coimbra, coadjuvado pelo dr. Ernesto Tomé, como chefe do Núcleo da Figueira da Foz. Para o Algarve, nomeou o coronel Pires Viegas, que teria como adjunto João Trigueiros.
Conseguindo, ainda, reunir diversos caminheiros para coadjuvar a Comissão Administrativa e apoiar as actividades regionais.

Apercebendo-se de que o grande problema era a falta de escoteiros chefes capazes, pois os que existiam estavam geralmente velhos e cansados, Tovar de Lemos promoveu a realização de um Campo Escola de Chefes, que veio a funcionar em 1922, na Escola Normal de Benfica, da qual era director um grande entusiasta do Escotismo – o dr. Luís Passos.
A delineação do programa deste curso foi trabalho do próprio Tovar de Lemos, que o submeteu à apreciação do coronel Wilson, dirigente do Escotismo Britânico (mais tarde Comissário do World Scout Bureau, tendo vindo a Portugal nessa qualidade em 1951).
Esse Campo Escola de Chefes foi um êxito e os resultados podem ser medidos pelo punhado de escoteiros chefes que saíram desse Campo Escola: Marcelo Caetano, Luís Teixeira, Henrique de Barros, Amâncio Salgueiro, Fausto Salazar Leite, Henrique Casquilho, Júlio Leão de Almeida, Albano da Silva, Luís Grau Tovar de Lemos, Aníbal Gonçalves Ramos, José David, Júlio Marques, Cansado Gonçalves, Álvaro Dória, João Trigueiros, António Afonso, David Baudouin, Sobral Martins e outros cujos nomes não foram retidos. Tovar de Lemos soubera rodear-se de bons colaboradores, entre os quais se contavam Alberto Lima Basto, Joaquim Duarte Borrego, dr. Dinis Curson e Franklin de Oliveira, escoteiros chefes já considerados diplomados.
Tovar de Lemos conseguiu interessar o Governo pela Associação, o que permitiu a nomeação de representantes de alguns Ministérios junto da Direcção Central, tais como o prof. Aníbal Pinheiro, do Ministério da Instrução, o coronel Reis e Silva e o comandante Pedro Peters.

Entretanto, os grupos eram objecto de uma atenta vigilância, realizando-se frequentes visitas, em que tudo era observado e examinado. O dr. Tovar de
Lemos deslocou-se várias vezes à província, em viagens de inspecção aos grupos das regiões do Porto, Coimbra e Algarve.

A própria Associação foi atingida por esta profunda remodelação, tendo ficado assim estruturada em 1923:

Presidente Honorário: dr. António José de Almeida, Presidente da República.
Vice-presidentes Honorários: dr. Teófilo Braga, dr. Bernardino Machado e almirante Canto e Castro, ex-presidentes da República.
Escoteiro Chefe Geral Honorário: Lord Baden Powell, (título que lhe fora conferido em 1921)

Conselho Nacional:
Humberto Martins, dr. Alfredo Tovar de Lemos, Egídio Bellinge da Mata (director da ACM), coronel Apolinário das Chagas, Alberto Lima Basto, dr. António Augusto Curson, Fausto Salazar Leite, Joaquim Duarte Borrego, dr. João de Barros (director geral do ensino primário e secretário geral do Ministério da Instrução Pública), Joaquim Amâncio Salgueiro Júnior, Luís Filipe Cardoso, dr. Luís Passos (director da Escola Normal), dr. Alfredo da Costa Andrade e dr. Joaquim Andrade Saraiva (ambos administradores do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios). Foram depois agregados o coronel Frederico Ferreira de Simas, dr. Magalhães Lima, dr. Edmundo Lima Basto e dr. Augusto de Castro.

Comissão Executiva:
Presidente e Escoteiro-Chefe-Geral: dr. Tovar de Lemos
Vice-presidente: tenente Mário Pala
Secretário-geral: Fausto Salazar Leite

Foram ainda constituídas as seguintes Comissões:
Técnica; Administrativa; Saúde e Educação Física; Desportiva; Pedagógica; Jurídica; Propaganda; Revisora de Contas. Nestas comissões repetiam-se alguns dos nomes já referidos, mas apareciam outros de muito valor e prestígio como o dr. Faria de Vasconcelos, dr. Afonso Manaças, dr. Marcelo Caetano, Manuel Borrego, Cosme Vieira Leitão, dr. Alberto Pimentel, dr. João Camoezas, professor Ermelindo dos Santos, dr. Salazar Carreira, Albano da Silva e António Manuel Ribeiro.

Este escol de dirigentes, que fizemos empenho em referir, evidencia o esforço feito pelo dr. Tovar de Lemos para
dotar a AEP de estruturas capazes de promoverem a difusão e a qualidade do Movimento no nosso País, objectivo conseguido por toda uma década, durante a qual a AEP viveu uma gloriosa expansão e realizou ou participou em importantes actividades, designadamente:
II Jambori Mundial e II Conferência Internacional, em Agosto de 1924; 1ª. Conferência Nacional do Escotismo, em Jan/Fevereiro de 1925; I Acampamento Nacio-nal, em Agosto de 1927; Primeira visita de B.P. a Portugal, em Março de 1929; III Jambori Mundial e V Conferência Internacional, em Julho de 1929.

Da nossa história…(7)

Sinais de ressurgimento da A.E.P. e algumas honrarias (apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)

O período que decorre de 1918 a 1920 não é muito clarificador na vida da Associação dos Escoteiros de Portugal. O dr. Nuno Magalhães Domingues, que havia sucedido na Presidência da Direcção ao dr. António Sá Oliveira, que no fim de 1917 deixara aquele posto (após o regresso de Melo Machado para escoteiro chefe nacional), também abandonou o seu lugar. Sucede-lhe, então, o dr, António Augusto Curson, pessoa de grande prestígio nacional, que durante muitos anos cooperou com os Escoteiros de Portugal.
Mas, neste período também aconteceram coisas muito interessantes.
Eduardo Moreira, que desde a primeira hora assumia a pasta de secretário da AEP, continua a dar provas da sua grande dedicação e da sua enorme competência. Por diligências suas, o Governo Português deliberou distinguir o Fundador do Escotismo, Lord Baden-Powell, com a Comenda da Ordem Militar de Cristo, por reconhecer os relevantes serviços por ele prestados à humanidade.
Numa carta dirigida, nessa ocasião, aquele prestigiado dirigente escotista, B.P. manifesta a sua gratidão pela honraria que acabava de lhe ser concedida, carta essa que é uma verdadeira relíquia para os escoteiros portugueses:

“ Caro Senhor,
Estou profundamente grato pela honra com que o Governo da República Portuguesa se dignou distinguir-me, ao conceder-me a Comenda da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sinto-me indigno, por completo, de semelhante honra no que diz respeito a qualquer acto da minha parte, mas calculo que o ter sido alvo desta distinção se deve unicamente aos bons ofícios dos dirigentes da Associação dos Escoteiros.
Dificilmente poderei exprimir como estou grato por esta sensibilizante prova da sua boa vontade. Se algo houver, em assuntos de Escotismo, que me permita provar que mereci tal honra, espero que mo digam.
Fico esperançado em ter a oportunidade, não muito distante, de me encontrar com alguns dos meus irmãos Portugueses.
Entretanto, com votos cordiais de bom êxito para o Movimen-to Escotista em Portugal e com renovados agradecimentos,
Creia-me sinceramente
a)Robert Baden Powell”


A este episódio se refere, ainda, B.P. num dos seus livros:

“Há algum tempo, na presença de grande número de escoteiros, recebi a Ordem de Cristo das mãos do Embaixador de Portugal, em recompensa daquilo que fazem os escoteiros neste país.
Agradecendo ao Embaixador, disse que me era feita uma honra particularmente grande, porque era uma Ordem conferida, em Portugal, aos antigos Escoteiros marítimos.
O Infante D. Henrique denominado O Navegador pelas suas viagens aventurosas e pelas suas engenhosas invenções para ajudar os marinheiros a encontrar a sua rota, era ele próprio Grão-Mestre da Ordem de Cristo e foi graças a ele que Portugal produziu uma série tão maravilhosa de aventureiros e colonizadores.
Provavelmente uma ou duas pessoas acharam que eu fazia demasiado caso de Portugal e disseram-me: e os nossos lobos-do-mar britânicos, os Hawkins, os Drake, os Raleigh, os Gilbert? Tive de responder em minha defesa: “Lede a história e vedes que o Cabo da Boa Esperança foi descoberto por Dias em 1487; a Índia por Vasco da Gama em 1498; o Brasil por Cabral em 1500; e a América do Sul, no ano seguinte por Américo Vespúcio, enquanto Magalhães descobria, ao sul da América, o estreito de seu nome, tão terrivelmente perigoso, em 1519. Todos portugueses ou espanhóis.
É verdade que Hawkins esteve à vista do Brasil, Martin Frobisher explorou a Passagem do Nordeste em três viagens diferentes; “sir” Walter Raleigh explorou as Índias Ocidentais e o Orenoco, no norte do Brasil; William Adams alcançou, em primeiro lugar, o Japão e ligou-se de amizade com os japoneses, em 1600; “sir” Humphrey Gilbert fundou a colónia da Terra Nova; e John Hawkins abriu a África Ocidental ao comércio, enquanto “sir” Francis Drake fez a volta ao mundo, seguindo Magalhães através dos estreitos que ele tinha descoberto.
Mas há uma diferença de datas. As descobertas dos portugueses foram feitas no tempo dos avós e dos pais dos nossos marinheiros.
Se os nossos compatriotas fizeram face às dificuldades e aos perigos com pequenos barcos insuficientes, maus instrumentos e pobres provisões de boca, isto dá uma fiel ideia da coragem dos outros homens que estavam ainda mais mal colocados no que diz respeito a este assunto, quando se faziam à vela para o desconhecido.
Com toda a lealdade é preciso prestar homenagem a quem de direito.
Espero que vos lembreis disto quando encontrardes nos Jamboris irmãos escoteiros doutros países.”


Para o glorioso combatente de Mafeking e denodado batedor da selva africana, nenhuma outra homenagem poderia estimular mais o seu orgulho do que ser distinguido com a mesma condecoração com que outrora eram agraciados os nossos bravos e arrojados navegadores de Quinhentos, que foram autores da mais bela das epopeias marítimas, os verdadeiros Escoteiros marítimos da Antiguidade.


PRESENÇA DE PORTUGAL NO I JAMBORI MUNDIAL
A delegação portuguesa ao I Jambori mundial

O primeiro Jambori mundial realizou-se em Londres, no vasto recinto Olympia, em 1920. Esta reunião de escoteiros de vários países foi uma notável iniciativa de Baden-Powell, que se transformou numa tradição indispensável do Movimento Escotista.
Não era fácil, naquele tempo, constituir uma delegação para representar Portugal em tal acontecimento. Foi Robert Moreton, presidente do Grupo n.º 1 o grande impulsionador desta representação, fazendo todas as diligências e removendo obs-táculos, para reunir uma delegação de 11 elementos, constituída de entre os mais entusiastas escoteiros e dirigentes, a saber: Humberto Martins, Albano da Silva, Alberto Lima Basto, Joaquim Duarte Borrego, Carlos Frias, Henrique de Barros, Dinis Curson, José Maria Galvão Teles, Sobral Martins, Franklin de Oliveira e José Borrego.
Esta delegação foi rodeada da atenção própria de uma representação nacional, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros concedido passaporte diplomático a quase todos os nossos representantes, o que evidencia o interesse que mereceu a nossa presença em Inglaterra.
Robert Moreton, súbdito inglês, acompanhou a delegação e, em Inglaterra, continuou a apoiá-la e a prestigiá-la.
Grande parte dos nomes atrás referidos, vieram a marcar a vida da A.E.P., destacando-se como dirigentes escotistas com relevantes serviços prestados.
A cerimónia mais expressiva desta primeira reunião de escoteiros das mais diversas partes do mundo, foi a manifestação espontânea dos milhares de rapazes presentes que aclamaram Baden-Powell como Escoteiro Chefe Mundial, título que não voltou a ser dado a mais ninguém depois da sua morte, que ocorreu em Janeiro de 1941.

Um testemunho histórico da vida do Grupo n.º 9 da A.E.P.

Extracto tirado de “ O Sport de Lisboa”, em 5 de Junho de 1915.Edição do Pata Tenra - Nº 14/2008Artigo do Dr. Jaime Neves.

“ Ninguém, por assim dizer, se interessa por eles, ninguém procura ajudá-los, quase ninguém os conhece. E quando eles passam nas ruas, garbosos, correctos, com a convicção de que são alguém que quer alguma coisa, uma compostura viril no seu rosto de crianças, uma decisão bem vincada nos seus olhos, onde a vida ainda não empanou a limpidez da infância, os transeuntes indiferentes dos altos espíritos preocupados apenas com as frases problemas, da politiquice indigna, olham-nos, vêem-nos, sorriem e têm deles a mesma compreensão que um sabonete tem do sistema Solar! São maduros…
Pois senhores, esses rapazitos tão benevolentemente julgados sem apelação, deram apoio nas horas trágicas da revolução de uma demonstração cabal e gloriosa do que são e do que valem. A madureza que os levou a aprender como se faz uma estafeta, como se despreza o perigo e como se cultiva a coragem, foi uma maneira bem-dita que desabrochou em culminâncias de heroísmo e de bondade.
Passaram da sua obscuridade e edificaram aos olhares pasmados dos lisboetas a sua indomável energia de crianças, afeitas a uma disciplina bem orientada que lhes valoriza o físico e desenvolve o moral, absolutamente identificados com a letra do seu juramento de honra:
- “Ser leal à sua Pátria”.
- “ Auxiliar o próximo em todas as circunstâncias”.
De como eles cumpriram a sua missão, rezam os variados relatos e notícias da imprensa diária.

Da nossa história…(6)

Momentos perturbadores
na vida da A.E.P.
(apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)

Apesar do seu reconhecimento oficial, a situação na A.E.P. em 1917 não era muito agradável. Escrevendo em “O Escoteiro”, no mesmo número em que era publicado o Decreto 3120 – B, confessava Melo Machado:”Vão decorridos cinco longos anos desde que no nosso país se introduziu o Escotismo. E, nesse período de tempo relativamente importante, durante o qual algumas boas vontades tão dedicadamente trabalharam para que se alcançassem os resultados atingidos em outros países, a obra realizada é menos que modesta, é quase desanimadora…
"… Em Portugal e suas colónias não contaremos trezentos escoteiros”. Este era um desabafo de muita tristeza do então Escoteiro Chefe Geral, que logo acrescenta um pouco mais optimista: “Mal parecerá que num momento em que esperanças novas ressurgem com a publicação de um decreto em que o Governo português, reconhecendo finalmente a Associação dos Escoteiros de Portugal, veio dar ao Escotismo algumas bases em que pode apoiar-se um novo esfoço produtivo, soem palavras de desânimo a esfriar os entusiasmos que se esboçam…”.Mas, apesar destas palavras de esperança, o desânimo era evidente e, é ainda Melo Machado que analisando a origem do mal comenta: “Estamos num meio muito desfavorável ao Escotismo. País de gentes indisciplinadas, dividido por apaixonadas lutas polí-ticas que esmorecem todos os ideais, onde infelizmente o Patriotismo é quase apenas uma palavra, e onde não há educação cívica , o Escotismo aparece aos olhos da maior parte das pessoas como um idealismo, uma verdadeira madureza, permita-se-me o termo”.Melo Machado era um dirigente devotado ao serviço do Escotismo, mas a sua dedicação, a forma como cumpria o seu dever de dirigente, tornava-o muito exigente e conflituoso. Os Grupos eram convocados e, se não compareciam ou não eram pontuais, eram repreendidos sem hesitação.
A disciplina férrea, de tipo militar, que o Chefe Geral procurava impor, encontrava opositores naqueles que defendiam um método mais liberal e democrático e não aceitavam pacificamente esse género de chefia. Os conflitos surgiam e o desinteresse afirmava-se. Se somarmos a isto a resistência das mães a que seus filhos se expusessem ao “perigo” das actividades dos escoteiros, teremos a explicação de tão desanimador resultado.
Em Agosto de 1918, em vez de progredir a AEP regredia, registando em efectividade, apenas os seguintes Grupos: n.º 4, Torres Vedras; n.º 9, Lisboa; n.º 11, Lisboa (Liceu Camões); n.º 13, Amadora; n.º 18, Braga; n.º 19, Santarém; n.º 26, Porto; n.º 27, Évora; n.º 34, Ribeira de Santarém; n.º 35, Porto; n.º 36, Funchal (Liceu Central). Inactivos, encontravam-se: o n.º 2, Lisboa; n.º 3, Lisboa (Liceu Pedro Nunes); n.º 12, Lisboa (Liceu Passos Manuel); n.º 14, Lisboa (Liceu Gil Vicente); n.º 30, Lisboa (Escolas Primárias); n.º 31, Lisboa; n.º 32, Almeirim.
Registe-se a ausência naquele registo dos Grupos n.ºs 1 e 7, que se encontravam em funcionamento, mas desligados da Associação, por situações conflituosas.
Se fizermos o paralelo com o efectivo de 1915, verificaremos a diferença e a razão do desânimo.
Deve-se reconhecer, no entanto, que a diminuição de efectivos nos Escoteiros de Portugal não era acompanhada de qualquer degradação da qualidade. Os escoteiros que permaneceram nas fileiras constituíam um núcleo de autêntica “elite”. Durante este período, os escoteiros distinguiram-se em generosos actos de altruísmo e abnegação, como nos grandes incêndios das Encomendas Postais, do Limoeiro, do Teatro Ginásio, na sangrenta revolução de 5 de Dezembro de 1917 e noutros acontecimentos que marcaram aquela época.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ECOS LONGÍNQUOS DO JAMBORI MUNDIAL DA PAZ


Eduardo Ribeiro, Capitolino Macedo e Joel Ribeiro,
delegados do Sempre Pronto no Jambori da Paz, em 1947

Um acontecimento Escotista verdadeiramente histórico

Em 1947, havia terminado há pouco a famigerada II Guerra Mundial que, de forma tão dolorosa, ensombrara durante anos o mundo inteiro, realizou-se em Moisson, uma pequena povoação ao norte de Paris, o VI Jambori Mundial do Escotismo, o qual recebeu a designação especial de “Jambori Mundial da Paz”, em virtude do conflito mundial ter terminado pouco tempo antes, cerca de 2 anos.
Foi um acontecimento excepcional, retumbante mesmo, que teve uma feição talvez impossível de ser repetida, uma vez que o mundo acabara de sair de uma conflagração invulgar, que afectara o mundo inteiro, por-tanto muito difícil de, felizmente, ter uma repetição.
Os Escoteiros de Portugal, bem como o Corpo Nacional de Escutas, estiveram lá presentes e bem assim o jornal escotista “Sempre Pronto”, nessa altura um jovem órgão de Imprensa que vivia no interior da nossa Associação. Foram seus representantes o seu director, o meu irmão, Eduardo Ribeiro, o seu administrador, o Capitolino Macedo, e eu. Tratou-se de uma resolução que permitiu que o nome da nossa Associação não passasse despercebido neste importante certame escotista.

Um dos mais assinaláveis momentos desta deslocação ocorreu durante a passagem destes três escoteiros pela cidade de Madrid, onde tinham feito a primeira paragem. A Espanha, nesses anos, estava dominada pelo regime totalitário imposto pelo general Franco, o qual, como é sabido, não autorizava a prática do Escotismo naquele país. Esta a razão porque, durante a passagem dos aludidos escoteiros portugueses por Madrid, visto que eles, durante toda a viagem, seguiam devidamente uniformizados, causar enorme espanto entre a população. De uma maneira geral, o povo espanhol ignorava, por completo, o Escotismo. Naqueles tempos, as viagens ao estrangeiro eram uma actividade mesmo rara. Nem os portugueses iam a Espanha, nem os nossos vizinhos nos visitavam. E o mesmo sucedia em todo o mundo. Por isso, eles ignoravam totalmente o que era o uniforme escotista.
A presença dos escoteiros portugueses uniformizados tinha, por isso, de causar grande surpresa e foi motivo de enorme e inesperada sensação! Muitos dos madrilenos exclamavam: “son requetés!”, o que nos deixava muito intrigados. Que significava o termo “requeté”, não sabíamos. Só mais tarde, consegui averiguar que essa palavra denominava os membros de um movimento político-militar armado, de carácter carlista, espanhol, o qual, durante a guerra civil do país vizinho, fora incorporado na Falange espanhola e lutara, durante esse conflito, ao lado das tropas do general Franco. Nunca me foi dado saber se o uniforme dessas forças se assemelhava, ou não, ao do movimento escotista.
Durante esse dia, passado todo em Madrid, deu-se um caso de muita importância:
Quando percorríamos uma das ruas centrais da capital espanhola, fomos abordados por dois jovens daquele país, os quais nos disseram que eram antigos escoteiros espanhóis, mas que não podiam praticar o Escotismo por isso lhes estar oficialmente vedado. Disseram-nos que se chamavam José Forasté Oliver e José Magallón Marrón. Manifestaram grande admiração por estarem a ver escoteiros uniformizados na sua terra, o que lhes causava, como é natural, grande espanto e saudade.
Tínhamos de prosseguir a viagem para França. Ficou combinado, por isso, que no regresso do Jambori tornaríamos a encontrar-nos com eles. E assim sucedeu. À volta contactamos de novo com esses jovens, agora já na companhia doutros antigos escoteiros da nação vizinha, entre os quais se encontrava Enrique Genovés, natural de Valência, que tivemos então o gosto de conhecer, o qual se tornaria um grande amigo dos escoteiros portugueses e um valioso colaborador do jornal “Sempre Pronto”, onde usava o conhecido pseudónimo “Ojo de Lince”. Também sua esposa, a insinuante D. Loreto Azpeitia y Lopez de Ayala, possuidora de excelentes dotes literários, se tornou igualmente colaboradora do nosso jornal.
Genovés foi, mais tarde, um credenciado dirigente do Escotismo espanhol, movimento que ressurgiu após a extinção do regime franquista. Escritor de muito mérito e reconhecida cultura, é o autor de relevantes considerações que ele fez, num impresso que tenho em meu poder, a propósito de meu Irmão, onde se lê: “Eduardo Ribeiro, el tantos años esforzado mantenedor de SEMPRE PRONTO, activo miembro de la Fraternal de Antíguos Escoteiros, falleció en Brasil”, o que corresponde a uma homenagem que, em Portugal, nunca lhe foi prestada, isto apesar de ele ter oferecido ao nosso movimento uma dedicação sem par, com vários anos como director do “Sempre Pronto”, jornal que quase não lhe sobreviveu, e ainda como chefe do Grupo nº. 94, como dirigente nacional, obreiro infatigável da Fraternal, activo precursor do Guidismo na nossa terra.
São estas algumas das considerações sugeridas pelos acontecimentos que marcam um dos períodos mais férteis do Escotismo Português e também deste movimento a nível mundial, factos que não é crível que se venham a repetir, já que se alterou, por completo, o panorama político e social em todo o mundo.
Joel Ribeiro