Extracto tirado de “ O Sport de Lisboa”, em 5 de Junho de 1915.Edição do Pata Tenra - Nº 14/2008Artigo do Dr. Jaime Neves.
“ Ninguém, por assim dizer, se interessa por eles, ninguém procura ajudá-los, quase ninguém os conhece. E quando eles passam nas ruas, garbosos, correctos, com a convicção de que são alguém que quer alguma coisa, uma compostura viril no seu rosto de crianças, uma decisão bem vincada nos seus olhos, onde a vida ainda não empanou a limpidez da infância, os transeuntes indiferentes dos altos espíritos preocupados apenas com as frases problemas, da politiquice indigna, olham-nos, vêem-nos, sorriem e têm deles a mesma compreensão que um sabonete tem do sistema Solar! São maduros…
Pois senhores, esses rapazitos tão benevolentemente julgados sem apelação, deram apoio nas horas trágicas da revolução de uma demonstração cabal e gloriosa do que são e do que valem. A madureza que os levou a aprender como se faz uma estafeta, como se despreza o perigo e como se cultiva a coragem, foi uma maneira bem-dita que desabrochou em culminâncias de heroísmo e de bondade.
Passaram da sua obscuridade e edificaram aos olhares pasmados dos lisboetas a sua indomável energia de crianças, afeitas a uma disciplina bem orientada que lhes valoriza o físico e desenvolve o moral, absolutamente identificados com a letra do seu juramento de honra:
- “Ser leal à sua Pátria”.
- “ Auxiliar o próximo em todas as circunstâncias”.
De como eles cumpriram a sua missão, rezam os variados relatos e notícias da imprensa diária.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Da nossa história…(6)
Momentos perturbadores
na vida da A.E.P. (apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)
Apesar do seu reconhecimento oficial, a situação na A.E.P. em 1917 não era muito agradável. Escrevendo em “O Escoteiro”, no mesmo número em que era publicado o Decreto 3120 – B, confessava Melo Machado:”Vão decorridos cinco longos anos desde que no nosso país se introduziu o Escotismo. E, nesse período de tempo relativamente importante, durante o qual algumas boas vontades tão dedicadamente trabalharam para que se alcançassem os resultados atingidos em outros países, a obra realizada é menos que modesta, é quase desanimadora…
"… Em Portugal e suas colónias não contaremos trezentos escoteiros”. Este era um desabafo de muita tristeza do então Escoteiro Chefe Geral, que logo acrescenta um pouco mais optimista: “Mal parecerá que num momento em que esperanças novas ressurgem com a publicação de um decreto em que o Governo português, reconhecendo finalmente a Associação dos Escoteiros de Portugal, veio dar ao Escotismo algumas bases em que pode apoiar-se um novo esfoço produtivo, soem palavras de desânimo a esfriar os entusiasmos que se esboçam…”.Mas, apesar destas palavras de esperança, o desânimo era evidente e, é ainda Melo Machado que analisando a origem do mal comenta: “Estamos num meio muito desfavorável ao Escotismo. País de gentes indisciplinadas, dividido por apaixonadas lutas polí-ticas que esmorecem todos os ideais, onde infelizmente o Patriotismo é quase apenas uma palavra, e onde não há educação cívica , o Escotismo aparece aos olhos da maior parte das pessoas como um idealismo, uma verdadeira madureza, permita-se-me o termo”.Melo Machado era um dirigente devotado ao serviço do Escotismo, mas a sua dedicação, a forma como cumpria o seu dever de dirigente, tornava-o muito exigente e conflituoso. Os Grupos eram convocados e, se não compareciam ou não eram pontuais, eram repreendidos sem hesitação.
A disciplina férrea, de tipo militar, que o Chefe Geral procurava impor, encontrava opositores naqueles que defendiam um método mais liberal e democrático e não aceitavam pacificamente esse género de chefia. Os conflitos surgiam e o desinteresse afirmava-se. Se somarmos a isto a resistência das mães a que seus filhos se expusessem ao “perigo” das actividades dos escoteiros, teremos a explicação de tão desanimador resultado.
Em Agosto de 1918, em vez de progredir a AEP regredia, registando em efectividade, apenas os seguintes Grupos: n.º 4, Torres Vedras; n.º 9, Lisboa; n.º 11, Lisboa (Liceu Camões); n.º 13, Amadora; n.º 18, Braga; n.º 19, Santarém; n.º 26, Porto; n.º 27, Évora; n.º 34, Ribeira de Santarém; n.º 35, Porto; n.º 36, Funchal (Liceu Central). Inactivos, encontravam-se: o n.º 2, Lisboa; n.º 3, Lisboa (Liceu Pedro Nunes); n.º 12, Lisboa (Liceu Passos Manuel); n.º 14, Lisboa (Liceu Gil Vicente); n.º 30, Lisboa (Escolas Primárias); n.º 31, Lisboa; n.º 32, Almeirim.
Registe-se a ausência naquele registo dos Grupos n.ºs 1 e 7, que se encontravam em funcionamento, mas desligados da Associação, por situações conflituosas.
Se fizermos o paralelo com o efectivo de 1915, verificaremos a diferença e a razão do desânimo.
Deve-se reconhecer, no entanto, que a diminuição de efectivos nos Escoteiros de Portugal não era acompanhada de qualquer degradação da qualidade. Os escoteiros que permaneceram nas fileiras constituíam um núcleo de autêntica “elite”. Durante este período, os escoteiros distinguiram-se em generosos actos de altruísmo e abnegação, como nos grandes incêndios das Encomendas Postais, do Limoeiro, do Teatro Ginásio, na sangrenta revolução de 5 de Dezembro de 1917 e noutros acontecimentos que marcaram aquela época.
na vida da A.E.P. (apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)
Apesar do seu reconhecimento oficial, a situação na A.E.P. em 1917 não era muito agradável. Escrevendo em “O Escoteiro”, no mesmo número em que era publicado o Decreto 3120 – B, confessava Melo Machado:”Vão decorridos cinco longos anos desde que no nosso país se introduziu o Escotismo. E, nesse período de tempo relativamente importante, durante o qual algumas boas vontades tão dedicadamente trabalharam para que se alcançassem os resultados atingidos em outros países, a obra realizada é menos que modesta, é quase desanimadora…
"… Em Portugal e suas colónias não contaremos trezentos escoteiros”. Este era um desabafo de muita tristeza do então Escoteiro Chefe Geral, que logo acrescenta um pouco mais optimista: “Mal parecerá que num momento em que esperanças novas ressurgem com a publicação de um decreto em que o Governo português, reconhecendo finalmente a Associação dos Escoteiros de Portugal, veio dar ao Escotismo algumas bases em que pode apoiar-se um novo esfoço produtivo, soem palavras de desânimo a esfriar os entusiasmos que se esboçam…”.Mas, apesar destas palavras de esperança, o desânimo era evidente e, é ainda Melo Machado que analisando a origem do mal comenta: “Estamos num meio muito desfavorável ao Escotismo. País de gentes indisciplinadas, dividido por apaixonadas lutas polí-ticas que esmorecem todos os ideais, onde infelizmente o Patriotismo é quase apenas uma palavra, e onde não há educação cívica , o Escotismo aparece aos olhos da maior parte das pessoas como um idealismo, uma verdadeira madureza, permita-se-me o termo”.Melo Machado era um dirigente devotado ao serviço do Escotismo, mas a sua dedicação, a forma como cumpria o seu dever de dirigente, tornava-o muito exigente e conflituoso. Os Grupos eram convocados e, se não compareciam ou não eram pontuais, eram repreendidos sem hesitação.
A disciplina férrea, de tipo militar, que o Chefe Geral procurava impor, encontrava opositores naqueles que defendiam um método mais liberal e democrático e não aceitavam pacificamente esse género de chefia. Os conflitos surgiam e o desinteresse afirmava-se. Se somarmos a isto a resistência das mães a que seus filhos se expusessem ao “perigo” das actividades dos escoteiros, teremos a explicação de tão desanimador resultado.
Em Agosto de 1918, em vez de progredir a AEP regredia, registando em efectividade, apenas os seguintes Grupos: n.º 4, Torres Vedras; n.º 9, Lisboa; n.º 11, Lisboa (Liceu Camões); n.º 13, Amadora; n.º 18, Braga; n.º 19, Santarém; n.º 26, Porto; n.º 27, Évora; n.º 34, Ribeira de Santarém; n.º 35, Porto; n.º 36, Funchal (Liceu Central). Inactivos, encontravam-se: o n.º 2, Lisboa; n.º 3, Lisboa (Liceu Pedro Nunes); n.º 12, Lisboa (Liceu Passos Manuel); n.º 14, Lisboa (Liceu Gil Vicente); n.º 30, Lisboa (Escolas Primárias); n.º 31, Lisboa; n.º 32, Almeirim.
Registe-se a ausência naquele registo dos Grupos n.ºs 1 e 7, que se encontravam em funcionamento, mas desligados da Associação, por situações conflituosas.
Se fizermos o paralelo com o efectivo de 1915, verificaremos a diferença e a razão do desânimo.
Deve-se reconhecer, no entanto, que a diminuição de efectivos nos Escoteiros de Portugal não era acompanhada de qualquer degradação da qualidade. Os escoteiros que permaneceram nas fileiras constituíam um núcleo de autêntica “elite”. Durante este período, os escoteiros distinguiram-se em generosos actos de altruísmo e abnegação, como nos grandes incêndios das Encomendas Postais, do Limoeiro, do Teatro Ginásio, na sangrenta revolução de 5 de Dezembro de 1917 e noutros acontecimentos que marcaram aquela época.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
ECOS LONGÍNQUOS DO JAMBORI MUNDIAL DA PAZ
Eduardo Ribeiro, Capitolino Macedo e Joel Ribeiro,
delegados do Sempre Pronto no Jambori da Paz, em 1947
Um acontecimento Escotista verdadeiramente histórico
Em 1947, havia terminado há pouco a famigerada II Guerra Mundial que, de forma tão dolorosa, ensombrara durante anos o mundo inteiro, realizou-se em Moisson, uma pequena povoação ao norte de Paris, o VI Jambori Mundial do Escotismo, o qual recebeu a designação especial de “Jambori Mundial da Paz”, em virtude do conflito mundial ter terminado pouco tempo antes, cerca de 2 anos.
Foi um acontecimento excepcional, retumbante mesmo, que teve uma feição talvez impossível de ser repetida, uma vez que o mundo acabara de sair de uma conflagração invulgar, que afectara o mundo inteiro, por-tanto muito difícil de, felizmente, ter uma repetição.
Os Escoteiros de Portugal, bem como o Corpo Nacional de Escutas, estiveram lá presentes e bem assim o jornal escotista “Sempre Pronto”, nessa altura um jovem órgão de Imprensa que vivia no interior da nossa Associação. Foram seus representantes o seu director, o meu irmão, Eduardo Ribeiro, o seu administrador, o Capitolino Macedo, e eu. Tratou-se de uma resolução que permitiu que o nome da nossa Associação não passasse despercebido neste importante certame escotista.
Um dos mais assinaláveis momentos desta deslocação ocorreu durante a passagem destes três escoteiros pela cidade de Madrid, onde tinham feito a primeira paragem. A Espanha, nesses anos, estava dominada pelo regime totalitário imposto pelo general Franco, o qual, como é sabido, não autorizava a prática do Escotismo naquele país. Esta a razão porque, durante a passagem dos aludidos escoteiros portugueses por Madrid, visto que eles, durante toda a viagem, seguiam devidamente uniformizados, causar enorme espanto entre a população. De uma maneira geral, o povo espanhol ignorava, por completo, o Escotismo. Naqueles tempos, as viagens ao estrangeiro eram uma actividade mesmo rara. Nem os portugueses iam a Espanha, nem os nossos vizinhos nos visitavam. E o mesmo sucedia em todo o mundo. Por isso, eles ignoravam totalmente o que era o uniforme escotista.
A presença dos escoteiros portugueses uniformizados tinha, por isso, de causar grande surpresa e foi motivo de enorme e inesperada sensação! Muitos dos madrilenos exclamavam: “son requetés!”, o que nos deixava muito intrigados. Que significava o termo “requeté”, não sabíamos. Só mais tarde, consegui averiguar que essa palavra denominava os membros de um movimento político-militar armado, de carácter carlista, espanhol, o qual, durante a guerra civil do país vizinho, fora incorporado na Falange espanhola e lutara, durante esse conflito, ao lado das tropas do general Franco. Nunca me foi dado saber se o uniforme dessas forças se assemelhava, ou não, ao do movimento escotista.
Durante esse dia, passado todo em Madrid, deu-se um caso de muita importância:
Quando percorríamos uma das ruas centrais da capital espanhola, fomos abordados por dois jovens daquele país, os quais nos disseram que eram antigos escoteiros espanhóis, mas que não podiam praticar o Escotismo por isso lhes estar oficialmente vedado. Disseram-nos que se chamavam José Forasté Oliver e José Magallón Marrón. Manifestaram grande admiração por estarem a ver escoteiros uniformizados na sua terra, o que lhes causava, como é natural, grande espanto e saudade.
Tínhamos de prosseguir a viagem para França. Ficou combinado, por isso, que no regresso do Jambori tornaríamos a encontrar-nos com eles. E assim sucedeu. À volta contactamos de novo com esses jovens, agora já na companhia doutros antigos escoteiros da nação vizinha, entre os quais se encontrava Enrique Genovés, natural de Valência, que tivemos então o gosto de conhecer, o qual se tornaria um grande amigo dos escoteiros portugueses e um valioso colaborador do jornal “Sempre Pronto”, onde usava o conhecido pseudónimo “Ojo de Lince”. Também sua esposa, a insinuante D. Loreto Azpeitia y Lopez de Ayala, possuidora de excelentes dotes literários, se tornou igualmente colaboradora do nosso jornal.
Genovés foi, mais tarde, um credenciado dirigente do Escotismo espanhol, movimento que ressurgiu após a extinção do regime franquista. Escritor de muito mérito e reconhecida cultura, é o autor de relevantes considerações que ele fez, num impresso que tenho em meu poder, a propósito de meu Irmão, onde se lê: “Eduardo Ribeiro, el tantos años esforzado mantenedor de SEMPRE PRONTO, activo miembro de la Fraternal de Antíguos Escoteiros, falleció en Brasil”, o que corresponde a uma homenagem que, em Portugal, nunca lhe foi prestada, isto apesar de ele ter oferecido ao nosso movimento uma dedicação sem par, com vários anos como director do “Sempre Pronto”, jornal que quase não lhe sobreviveu, e ainda como chefe do Grupo nº. 94, como dirigente nacional, obreiro infatigável da Fraternal, activo precursor do Guidismo na nossa terra.
São estas algumas das considerações sugeridas pelos acontecimentos que marcam um dos períodos mais férteis do Escotismo Português e também deste movimento a nível mundial, factos que não é crível que se venham a repetir, já que se alterou, por completo, o panorama político e social em todo o mundo.
Joel Ribeiro
Da nossa história… (5)
Consolidação do prestígio dos ESCOTEIROS DE PORTUGAL
(apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)
Decorria o ano de 1916 e, apesar da enorme aceitação dos escoteiros pela população, graças ao seu comportamento cívico exemplar e graças às suas meritórias intervenções, a Associação dos Escoteiros de Portugal, fundada em 6 de Setembro de 1913, não tinha ainda reconhecimento oficial do Governo. Todavia, desde que iniciaram a sua actividade que os grupos de escoteiros assumiram como suas as tarefas de auxílio ao semelhante, colaborando com os bombeiros e com a Cruz Vermelha em incêndios e catástrofes, arriscando em actos de abnegação e coragem, os quais mereciam por parte da imprensa da época os mais rasgados elogios.
Foi depois da participação dos escoteiros no ataque aos pavorosos incêndio que aconteceram, em 13 de Janeiro de 1916, no Depósito de Fardamentos do Exército, onde trabalhavam cerca de 4.000 pessoas e, em18 de Abril de 1916, na Escola Naval e Arsenal da Marinha, em Lisboa, onde ficaram destruídas algumas das mais belas instalações, perdendo-se a Sala do Risco, mas tendo-se salvo a Biblioteca, pela acção corajosa e decidida dos escoteiros, que o Presidente da República, Dr. Bernardino Machado se dispôs a aceitar a presidência honorária da A.E.P., situação que se manteria nas magistraturas republicanas seguintes, passando os anteriores presidentes a vice-presidentes honorários.
Então, em Maio de 1917, o Decreto n. 3120-B, que a seguir se transcreve, aprova o regulamento da Associação dos Escoteiros de Portugal, considerando-a benemérita e de beneficência. Não deixa de ser curioso observar, a esta distância, o vigor e a intencionalidade de algumas das expressões usadas, tão ao gosto daquela época.
O texto do Decreto n. 3120 – B é o seguinte:
“Considerando que o Escotismo é uma escola de formação de carácter e um meio valioso de preparar a mocidade para o desempenho dos seus deveres para com a Pátria e para com a Humanidade, como tem sido provado nos países em que essa instituição se tem desenvolvido;
Considerando que o estabelecimento e a generalização desse sistema em Portugal seria um dos melhores processos de avigorar as qualidades da raça portuguesa e de conduzir o País, pelo aperfeiçoamento dos seus homens do futuro, ao grau de prosperidade e grandeza que constitui a suprema aspiração da República e de todos os verdadeiros patriotas;
Considerando que a experiência feita nestes últimos anos tem dado os melhores resultados, provando à evidência quanto é possível conseguir, pelo Escotismo, dos rapazes portugueses, despertando neles as mais belas qualidades e conduzindo-os à prática de actos que têm causado a admiração geral;
Mas, convindo conjugar todos os esforços para a realização desta obra eminentemente patriótica e cortar de começo quanto possa prejudicá-la sobretudo impedindo a má compreensão dos processos adoptados pelo Escotismo e a formação de organismos mal preparados para a realização do objectivo a que ela visa;
Atendendo aos resultados que a Associação dos Escoteiros de Portugal tem conseguido alcançar e as provas concludentes que esta instituição tem dado sobre a sua capacidade para estabelecer e difundir o Escotismo pelo País, como bem o demonstram os actos de abnegação, coragem e patriotismo praticados pelos seus escoteiros, principalmente por ocasião da revolução de 14 de Maio e nos incêndios do Depósito de Fardamentos e da Escola Naval, actos que têm merecido por parte do Governo e outras entidades oficiais as mais elogiosas referências;
Considerando ainda que, embora não sendo uma instituição de carácter militar, o Escotismo é um dos melhores processos de preparar a mocidade para o desempenho dos seus deveres militares, contribuindo assim de um modo muito proveitoso para a realização do programa militar que a República estabeleceu: hei por bem, sob proposta do Ministro da Guerra, decretar o seguinte:
1º - É aprovado o regulamento da Associação dos Escoteiros de Portugal, que seguidamente é publicado.
2º - Em virtude do determinado no nº 3 do artigo 15º do seu regulamento é esta associação considerada benemérita e de beneficência para os efeitos de contribuições, impostos e franquia postal.
3º - Para todos os efeitos, legais e oficiais, serão apenas considerados escoteiros aqueles que pertencem à Associação dos Escoteiros de Portugal.
4º - A ninguém estranho à Associação dos Escoteiros de Portugal será permitido o uso ou emprego dos seus distintivos, sob qualquer forma ou imitação, bem como do nome da Associação incorrendo os infractores nas penas aplicáveis por usurpação de marcas comerciais, nos termos da carta de lei de 21 de Maio de 1896.
5º - É considerado exclusivo da Associação dos Escoteiros de Portugal o uniforme composto de blusa e calção curto de caqui escuro, lenço da mesma cor e chapéu desabado castanho, sendo punidos aqueles que indevidamente usarem este uniforme ou outro que com ele se assemelhe, com as penas estabelecidas no artigo 235º do Código Penal.
6º - Todas as entidades e autoridades oficiais prestarão sempre aos escoteiros da Associação dos Escoteiros de Portugal o apoio e protecção compatíveis com as circunstâncias, quando eles disso carecem para a execução de actos beneméritos ou nos seus exercícios e acampamentos, e bem assim utilizarão os serviços que eles ofereçam prestar, proporcionando-lhes ensejo de demonstrarem as suas qualidades e aptidões.
7º - A qualidade de escoteiros ou de sócios da Associação dos Escoteiros de Portugal só poderá ser considerada como válida mediante a apresentação do bilhete de identidade, em harmonia com o disposto no regulamento da Associação, não sendo dispensada essa prova mesmo aos escoteiros uniformizados.
8º - A Direcção Central da Associação dos Escoteiros de Portugal enviará a todas as unidades administrativas exemplares dos seus cartões de identidade e um desenho do uniforme dos escoteiros, para efeitos de fiscalização e polícia.
9º - Os escoteiros não são isentos do dever prescrito pelas leis que regulam a instrução militar preparatória, podendo organizar sociedades de instrução militar preparatória nos seus próprios grupos, ou inscrever-se para aquele fim em qualquer sociedade ou núcleo de instrução militar preparatória.
Os escoteiros, dos 17 anos em diante, quando deixarem de fazer parte da Associação dos Escoteiros de Portugal, serão inscritos em núcleos de instrução militar preparatória, em face de participação da mesma associação para a inspecção de infantaria da respectiva área.
A Direcção Central da Associação dos Escoteiros de Portugal enviará à inspecção de infantaria da 1ª divisão de exército os mapas estatísticos e relatórios prescritos pelas leis da instrução militar preparatória.
Os Ministros de todas as Repartições assim o tenham entendido e façam executar.
Paços do Governo da República, 10 de Maio de 1917 – Bernardino Machado
Porém, o reconhecimento oficial da AEP, que tanto interesse deveria ter para o Escotismo, não veio a contribuir para o seu desenvolvimento. Com a existência da Lei, aumentou o autoritarismo e com este as dissidências entre os dirigentes, que faziam crescer as dificuldades organizativas da Associação.
(apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)
Decorria o ano de 1916 e, apesar da enorme aceitação dos escoteiros pela população, graças ao seu comportamento cívico exemplar e graças às suas meritórias intervenções, a Associação dos Escoteiros de Portugal, fundada em 6 de Setembro de 1913, não tinha ainda reconhecimento oficial do Governo. Todavia, desde que iniciaram a sua actividade que os grupos de escoteiros assumiram como suas as tarefas de auxílio ao semelhante, colaborando com os bombeiros e com a Cruz Vermelha em incêndios e catástrofes, arriscando em actos de abnegação e coragem, os quais mereciam por parte da imprensa da época os mais rasgados elogios.
Foi depois da participação dos escoteiros no ataque aos pavorosos incêndio que aconteceram, em 13 de Janeiro de 1916, no Depósito de Fardamentos do Exército, onde trabalhavam cerca de 4.000 pessoas e, em18 de Abril de 1916, na Escola Naval e Arsenal da Marinha, em Lisboa, onde ficaram destruídas algumas das mais belas instalações, perdendo-se a Sala do Risco, mas tendo-se salvo a Biblioteca, pela acção corajosa e decidida dos escoteiros, que o Presidente da República, Dr. Bernardino Machado se dispôs a aceitar a presidência honorária da A.E.P., situação que se manteria nas magistraturas republicanas seguintes, passando os anteriores presidentes a vice-presidentes honorários.
Então, em Maio de 1917, o Decreto n. 3120-B, que a seguir se transcreve, aprova o regulamento da Associação dos Escoteiros de Portugal, considerando-a benemérita e de beneficência. Não deixa de ser curioso observar, a esta distância, o vigor e a intencionalidade de algumas das expressões usadas, tão ao gosto daquela época.
O texto do Decreto n. 3120 – B é o seguinte:
“Considerando que o Escotismo é uma escola de formação de carácter e um meio valioso de preparar a mocidade para o desempenho dos seus deveres para com a Pátria e para com a Humanidade, como tem sido provado nos países em que essa instituição se tem desenvolvido;
Considerando que o estabelecimento e a generalização desse sistema em Portugal seria um dos melhores processos de avigorar as qualidades da raça portuguesa e de conduzir o País, pelo aperfeiçoamento dos seus homens do futuro, ao grau de prosperidade e grandeza que constitui a suprema aspiração da República e de todos os verdadeiros patriotas;
Considerando que a experiência feita nestes últimos anos tem dado os melhores resultados, provando à evidência quanto é possível conseguir, pelo Escotismo, dos rapazes portugueses, despertando neles as mais belas qualidades e conduzindo-os à prática de actos que têm causado a admiração geral;
Mas, convindo conjugar todos os esforços para a realização desta obra eminentemente patriótica e cortar de começo quanto possa prejudicá-la sobretudo impedindo a má compreensão dos processos adoptados pelo Escotismo e a formação de organismos mal preparados para a realização do objectivo a que ela visa;
Atendendo aos resultados que a Associação dos Escoteiros de Portugal tem conseguido alcançar e as provas concludentes que esta instituição tem dado sobre a sua capacidade para estabelecer e difundir o Escotismo pelo País, como bem o demonstram os actos de abnegação, coragem e patriotismo praticados pelos seus escoteiros, principalmente por ocasião da revolução de 14 de Maio e nos incêndios do Depósito de Fardamentos e da Escola Naval, actos que têm merecido por parte do Governo e outras entidades oficiais as mais elogiosas referências;
Considerando ainda que, embora não sendo uma instituição de carácter militar, o Escotismo é um dos melhores processos de preparar a mocidade para o desempenho dos seus deveres militares, contribuindo assim de um modo muito proveitoso para a realização do programa militar que a República estabeleceu: hei por bem, sob proposta do Ministro da Guerra, decretar o seguinte:
1º - É aprovado o regulamento da Associação dos Escoteiros de Portugal, que seguidamente é publicado.
2º - Em virtude do determinado no nº 3 do artigo 15º do seu regulamento é esta associação considerada benemérita e de beneficência para os efeitos de contribuições, impostos e franquia postal.
3º - Para todos os efeitos, legais e oficiais, serão apenas considerados escoteiros aqueles que pertencem à Associação dos Escoteiros de Portugal.
4º - A ninguém estranho à Associação dos Escoteiros de Portugal será permitido o uso ou emprego dos seus distintivos, sob qualquer forma ou imitação, bem como do nome da Associação incorrendo os infractores nas penas aplicáveis por usurpação de marcas comerciais, nos termos da carta de lei de 21 de Maio de 1896.
5º - É considerado exclusivo da Associação dos Escoteiros de Portugal o uniforme composto de blusa e calção curto de caqui escuro, lenço da mesma cor e chapéu desabado castanho, sendo punidos aqueles que indevidamente usarem este uniforme ou outro que com ele se assemelhe, com as penas estabelecidas no artigo 235º do Código Penal.
6º - Todas as entidades e autoridades oficiais prestarão sempre aos escoteiros da Associação dos Escoteiros de Portugal o apoio e protecção compatíveis com as circunstâncias, quando eles disso carecem para a execução de actos beneméritos ou nos seus exercícios e acampamentos, e bem assim utilizarão os serviços que eles ofereçam prestar, proporcionando-lhes ensejo de demonstrarem as suas qualidades e aptidões.
7º - A qualidade de escoteiros ou de sócios da Associação dos Escoteiros de Portugal só poderá ser considerada como válida mediante a apresentação do bilhete de identidade, em harmonia com o disposto no regulamento da Associação, não sendo dispensada essa prova mesmo aos escoteiros uniformizados.
8º - A Direcção Central da Associação dos Escoteiros de Portugal enviará a todas as unidades administrativas exemplares dos seus cartões de identidade e um desenho do uniforme dos escoteiros, para efeitos de fiscalização e polícia.
9º - Os escoteiros não são isentos do dever prescrito pelas leis que regulam a instrução militar preparatória, podendo organizar sociedades de instrução militar preparatória nos seus próprios grupos, ou inscrever-se para aquele fim em qualquer sociedade ou núcleo de instrução militar preparatória.
Os escoteiros, dos 17 anos em diante, quando deixarem de fazer parte da Associação dos Escoteiros de Portugal, serão inscritos em núcleos de instrução militar preparatória, em face de participação da mesma associação para a inspecção de infantaria da respectiva área.
A Direcção Central da Associação dos Escoteiros de Portugal enviará à inspecção de infantaria da 1ª divisão de exército os mapas estatísticos e relatórios prescritos pelas leis da instrução militar preparatória.
Os Ministros de todas as Repartições assim o tenham entendido e façam executar.
Paços do Governo da República, 10 de Maio de 1917 – Bernardino Machado
Porém, o reconhecimento oficial da AEP, que tanto interesse deveria ter para o Escotismo, não veio a contribuir para o seu desenvolvimento. Com a existência da Lei, aumentou o autoritarismo e com este as dissidências entre os dirigentes, que faziam crescer as dificuldades organizativas da Associação.
Da nossa história… (4)
A FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS ESCOTEIROS DE PORTUGAL (apoiada na História dos Escoteiros de Portugal - de Eduardo Ribeiro)
Foi a 6 de Setembro de 1913 que veio a organizar-se formalmente a Associação dos Escoteiros de Portugal, por convergência dos dirigentes dos três Grupos que vieram a tomar os n.ºs 1, 2 e 3.
Mas já em 18 de Setembro de 1912, no jornal O SÉCULO, Melo Machado fazia apelo a que fosse constituída uma entidade para dirigir colectivamente o movimento, o que reconhecia ser uma necessidade imperiosa.
Todavia, parece que terá sido a visita a Lisboa, na primavera de 1913, dos escoteiros ingleses da Cidade de Hastings, com o seu vistoso desfile pelas ruas da cidade e as inúmeras festas em que participaram, proporcionando entusiástica cobertura jornalística ao jornal O SECULO - que na época acompanhava com muito interesse o despontar do movimento “scouting” no nosso País - que despoletaram o interesse publico e levaram os dirigentes dos três primeiros Grupos de Lisboa a reconhecerem que era chegado o momento de se constituírem em associação e iniciaram conversações para esse efeito.
A proveitosa visita a Lisboa dos escoteiros de Hastings deveu-se a um entusiástico movimento de solidariedade que irrompeu dentro do 1.º Grupo, quando Lisboa tomou conhecimento do naufrágio de um barco português no Canal da Mancha, frente à cidade de Hastings, tendo-se distinguido no salvamento de parte da tripulação o grupo de “scouts” daquela cidade. A convite do UM e com o apoio da colónia inglesa, que suportou as despesas, os bravos “scouts” ingleses estiveram dez dias em Lisboa e a sua visita constituiu a melhor propaganda que se poderia ter feito para o Escotismo Português.
A Direcção da AEP foi constituída pelo dr. António Joaquim Sá Oliveira, presidente; Roberto Moreton, secretário; Álvaro de Melo Machado, escoteiro chefe geral.
Sabe-se que quando se fundou a AEP já existiam outros grupos de “scouts”, além dos três que a constituíram. Frank Giles, em entrevista a O SÉCULO, em 20 de Agosto de 1912, afirmava que em Coimbra e no Porto existiam também scouts, com os quais mantinha activa correspondência. Mas mesmo em Lisboa já existiriam outras unidades. Entre estas contava-se o Grupo n.º 7, fundado em 20 de Maio de 1913, na Igreja Congregacional, por iniciativa de Abel dos Santos e Silva e Luciano Silva, elementos saídos do Grupo n.º 1.
Uma coisa é certa, os grupos n.ºs 1, 2 e 3 foram os fundadores da A.E.P. e constituíram o núcleo de onde irradiou o Movimento que, a partir dessa data, registou franco desenvolvimento por todo o País e, mais tarde, pelas colónias portuguesas do ultramar.
Até à fundação da AEP os jovens que pertenciam ao Movimento eram designados pelo termo inglês “scout” e o pró-prio movimento por “scouting”. Mas, desde logo, os dirigen-tes associativos fizeram questão de adoptar um vocábulo genuinamente português: ESCOTEIRO, aquele que viaja sem bagagem nem alforge, gastando por escote nas estalagens (termo registado em dicionários portugueses desde o século XVII). Portanto, os fundadores da Associação não fizeram uma tradução da palavra “scout”, mas procuraram no nosso léxico um vocábulo português aplicável.
Também a adaptação da Promessa e da Lei, mereceram cuidadoso estudo dos fundadores, embora neste capítulo tenham existido sérias divergências, pois, enquanto uns pretendiam ver nelas contemplado o sentido universalista do Movimento, aberto a todos os credos e raças, outros entendiam dever manter-se o carácter religioso proposto por Baden-Powell para a Lei e Promessa dos scouts ingleses, afirmando que B.P. preconizava que “cada escoteiro deve ter uma religião” e que o Scouting for Boys está eivado de sentimento religioso como princípio fundamental do Escotismo. O ponto essencial é que todos adorem DEUS, ainda que de diversas maneiras.
Não admira pois que tais divergências provocassem desde logo alguns conflitos e acusações mútuas de desvirtuamento dos ideais, sendo frequente observar diferentes versões da Lei e da Promessa, consoante o pensamento filosófico ou a orientação religiosa dos dirigentes.
Também a dureza de algumas expressões, de conceito militarista bem ao sabor da época, como “Juramento do Escoteiro”, em vez de “Promessa Escoteira”, ou “Compro-misso de Honra”, em lugar de “Compromisso do Escoteiro”, como imporia a tradução do inglês, não ajudaram à desejável harmonia de procedimentos, alguns insanáveis até aos nossos dias.
O RECONHECIMENTO PELO GOVERNO DA REPÚBLICA
Não podemos, portanto, afirmar que a implantação do Escotismo em Portugal tenha sido um processo fácil, dadas as muitas querelas que surgiam a nível interno, devido às diferenças de interpretação dos seus dirigentes. Todavia, ao nível externo, graças ao comportamento cívico dos escoteiros, o Escotismo ia adquirindo enorme prestígio e o bom acolhimento por parte da população e entidades oficiais.
Foi assim que, em Junho de 1916, surge o reconhecimento oficial. O Presidente da República, dr. Bernardino Machado, aceita a Presidência honorária da AEP, situação que se man-teria nas magistraturas republicanas seguintes, passando os anteriores presidentes a vice-presidentes honorários.
Em Maio de 1917, o Governo aprovou o Regulamento da Associação dos Escoteiros de Portugal, através do Decreto n. 3120 – B, cujo texto inicial afirma: “Considerando que o Escotismo é uma escola de formação de carácter e um meio valioso de preparar a mocidade para o desempenho dos seus deveres para com a Pátria e para com a Humanidade, como tem sido provado nos países em que essa instituição se tem desenvolvido…”
E logo o artigo 3.º consigna: “Em virtude do determinado no n.º 3 do artigo 15.º do regulamento, é esta associação considerada de benemerência e de beneficência para os efeitos de contribuições, impostos e franquia postal”.
A HISTÓRIA DOS GRUPOS
Apesar das assinaladas divergências, o Escotismo expandia-se e novos grupos se associavam na AEP, seguindo as suas actividades e a sua orientação.
Em 1915 já existiam 22 Grupos inscritos na AEP. Não se referem algumas dessas unidades por falta de elementos históricos. Mas é importante destacar algumas outras cuja actividade contribuiu para o prestígio alcançado pela AEP. Para além dos três já referidos, e pela ordem porque ficaram registados após a sua adesão à Associação dos Escoteiros de Portugal, seguem, resumidamente, alguns elementos de tais grupos:
Grupo n.º 4, fundado em Torres Vedras, no Instituto Poli-técnico, já existia em 1915, sendo seu escoteiro chefe Vítor Cesário da Fonseca. Tanto o Grupo como o Instituto Politécnico foram extintos em 1919, em consequência da gripe pneumónica. Em 1925 voltou a existir em Torres Vedras outro Grupo de escoteiros, o n.º 50, onde foram instrutores Joaquim Paulino Pereira e Augusto Nascimento Gonçalves
Grupo n.º 5, fundado na Escola Normal, no Calvário, em Lisboa. Consta que a sua fundação data dos primeiros tempos do movimento e foi seu escoteiro chefe António Pereira Coimbra, mas veio a ter curta duração. A Ordem de Serviço n.º 44, de 13 de Setembro de 1916 considera-o extinto por falta de escoteiro chefe e manda que seja integrado no Grupo n.º 9.
Grupo n.º 6, quando o Grupo n.º 2, por força do seu desenvolvimento, abandona as suas instalações na Rua da Esperança, para se instalar na Academia de Estudos Livres, foi forçado pela AEP a tomar o número SEIS, devido ao compromisso assumido com a Sociedade de Instrução Militar Preparatória, que quis manter reservado o n.º 2 no intuito de vir a organizar nova unidade, o que nunca chegou a concretizar-se. Em 1915 o “dois” retomou o seu número e o Grupo n.º 6 ficou sem história, até que foi retomado por uma nova unidade fundada em Olhão, na sequência de uma luzidia demonstração, realizada a 7 de Janeiro de 1925 por uma delegação do Grupo n.º 1, naquela Vila. O seu primeiro escoteiro chefe foi Humberto Martins, que também foi o introdutor do basquetebol no Algarve.
Grupo n.º 7, fundado em 20 de Maio de 1913, surge na União Cristã de Jovens da Igreja Congregacional, em Lisboa, por iniciativa de Abel dos Santos Silva e Luciano Silva, que abandonaram a UCML e, consequentemente, o Primeiro Grupo de que faziam parte, assumindo Luciano Silva a chefia do grupo. José Rodrigues, aderente entu-siasta desde a primeira hora, veio mais tarde a assumir a chefia, que deteve por muitos anos.
Grupo n.º 8, pouco se conhece sobre a existência do Grupo inicialmente inscrito na Associação com este número, sabendo-se apenas que foi em Faro, pelo que é suposto tratar-se da unidade de scouts criada por Amâncio Salgueiro Jr., que este reivindicava existir antes do grupo de Macau. Em Julho de 1916 era desligado da AEP, por razões ignoradas. O número OITO veio a ser utilizado por um grupo criado em Maio de 1952, na Igreja Evangélica Presbiteriana, situada na Rua Febo Moniz, em Lisboa, onde ainda se encontra, sendo seu primeiro escoteiro chefe Albano Costa, antigo escoteiro do Grupo n. 94.
Grupo n.º 9, fundado em 1914, por alguns escoteiros do grupo n.º 2, que viviam demasiado longe da sua sede na Esperança. Solicitaram à AEP a criação de uma nova unidade, que foi confiada a Joaquim Duarte Borrego, em casa de quem ficou inicialmente instalada a sede do Grupo, que foi depois para a Rua da Madalena, 91 e, mais tarde, para a Rua de Santa Marta, 204. Em Novembro de 1926 o Grupo foi acolhido no Ateneu Comercial de Lisboa, presti-giosa instituição que sempre ofereceu aos escoteiros todo o seu apoio. Quando em 1917, Joaquim Duarte Borrego foi chamado ao serviço militar e partiu para a guerra, em França, tomou o seu lugar na chefia João Clímaco do Nas-cimento, que dirigiu o grupo com êxito durante muitos anos.
Grupo n.º 10, fundado por Álvaro Melo Machado, na cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo), pouco depois da sua chegada a Moçambique, onde chegara em Agosto de 1914, em cumprimento de missão militar. Depois do regresso de Melo Machado, a chefia do grupo ficou entregue a Vital dos Reis Barbosa.
Grupo n.º 11, a data provável da sua fundação no Liceu de Camões terá sido em 11 de Dezembro de 1915, em que teve lugar uma festa de “cerimónia de juramento”, para a qual foram convidados os outros grupos de escoteiros de Lisboa, na qual o presidente do grupo e Reitor do Liceu fez uma conferência sobre educação.
O seu primeiro escoteiro chefe foi António Coucelo.
Esta unidade foi um alfobre de escoteiros, que vieram a desempenhar importantes cargos dirigentes nos Escoteiros de Portugal e se projectaram na vida social em elevadas posições. Bastará enunciar alguns dos seus nomes: Dinis Curson, Mário da Silva Jacquet, Alberto e Edmundo Lima Bastos, Paulo e Henrique de Barros, Francisco Caldas, Marcelo Caetano, Fausto Salazar Leite, José Maria Galvão Teles.
Dos restantes Grupos, constantes do registo de 1915, conhecem-se apenas os seguintes elementos, já que, por razões inexplicáveis, os arquivos associativos terão desaparecido, supõe-se que entre os anos trinta e quarenta do século passado.
Grupo n.º 12, existente no Liceu de Passos Manuel, em Lisboa. O actual Grupo do mesmo número, teve o seu início já nos anos 50.
Grupo n.º 13, localizado na Vivenda Alvarez, LA, na Ama-dora. Anos mais tarde, retomou a sua actividade instalado na Sociedade de Geografia, em Lisboa.
Grupo n.º 14, Rua da Junqueira, em Lisboa. Em Janeiro de 1916 instalou-se no Liceu de Gil Vicente, em Lisboa.
O mesmo número foi retomado, já na década de 50, por uma unidade instalada em Algés.
Grupo n.º 15, com a sua primeira instalação nas Esca-dinhas da Saúde, passando em Janeiro de 1916 para o Bairro do Século, Porta 2, em Lisboa. O mesmo número foi atribuído, mais tarde a uma unidade criada no Porto.
Grupo n.º 16, situado na Rua da Bela Vista à Lapa, em Lisboa, passando anos mais tarde para o Colégio inglês, em Carcavelos. Continua existindo naquela Vila, com actividade digna de nota.
Grupo n.º 17, existiu no Palácio Mancelos, no Pátio do Tijolo, em Lisboa. O número foi retomado por uma unidade instalada no Porto.
Grupo n.º 18, existiu no Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga.
Grupo n.º 19, instalado na Rua da Bombarda, em Santarém. Também na década de 50, apareceu nova unidade com este número, que continua existindo na Pontinha.
Grupo n.º 20, existiu em Aldegalega, Montijo.
Grupo n.º 21, estava instalado na Vila Bastos, 3 e passou em Janeiro de 1916 para a Trav. do Teixeira, em Lisboa.
Grupo n.º 22, existiu na Av. Elias Garcia, em Lisboa.
Grupo n.º 23, instalado na Rua Vieira da Silva, 80, em Lisboa. O actual 23 está instalado em Queluz
Não fica claro que a numeração atribuída aos Grupos corresponda à ordem da sua filiação na A.E.P., pois parece ter existido desde sempre o lamentável critério de atribuir a uma nova unidade o mesmo número de outra unidade entretanto encerrada, o que estabelece grande confusão para uma clarificação da história dos grupos.
Seria desejável que cada grupo em actividade, registasse a sua própria história, dedicando-se, outrossim, à pesquisa e divulgação da história da unidade ou unidades que o precederam. Ninguém duvidará da enorme importância que tal estudo terá para a História do Escotismo em Portugal, que um dia gostaríamos de ver publicada.
Foi a 6 de Setembro de 1913 que veio a organizar-se formalmente a Associação dos Escoteiros de Portugal, por convergência dos dirigentes dos três Grupos que vieram a tomar os n.ºs 1, 2 e 3.
Mas já em 18 de Setembro de 1912, no jornal O SÉCULO, Melo Machado fazia apelo a que fosse constituída uma entidade para dirigir colectivamente o movimento, o que reconhecia ser uma necessidade imperiosa.
Todavia, parece que terá sido a visita a Lisboa, na primavera de 1913, dos escoteiros ingleses da Cidade de Hastings, com o seu vistoso desfile pelas ruas da cidade e as inúmeras festas em que participaram, proporcionando entusiástica cobertura jornalística ao jornal O SECULO - que na época acompanhava com muito interesse o despontar do movimento “scouting” no nosso País - que despoletaram o interesse publico e levaram os dirigentes dos três primeiros Grupos de Lisboa a reconhecerem que era chegado o momento de se constituírem em associação e iniciaram conversações para esse efeito.
A proveitosa visita a Lisboa dos escoteiros de Hastings deveu-se a um entusiástico movimento de solidariedade que irrompeu dentro do 1.º Grupo, quando Lisboa tomou conhecimento do naufrágio de um barco português no Canal da Mancha, frente à cidade de Hastings, tendo-se distinguido no salvamento de parte da tripulação o grupo de “scouts” daquela cidade. A convite do UM e com o apoio da colónia inglesa, que suportou as despesas, os bravos “scouts” ingleses estiveram dez dias em Lisboa e a sua visita constituiu a melhor propaganda que se poderia ter feito para o Escotismo Português.
A Direcção da AEP foi constituída pelo dr. António Joaquim Sá Oliveira, presidente; Roberto Moreton, secretário; Álvaro de Melo Machado, escoteiro chefe geral.
Sabe-se que quando se fundou a AEP já existiam outros grupos de “scouts”, além dos três que a constituíram. Frank Giles, em entrevista a O SÉCULO, em 20 de Agosto de 1912, afirmava que em Coimbra e no Porto existiam também scouts, com os quais mantinha activa correspondência. Mas mesmo em Lisboa já existiriam outras unidades. Entre estas contava-se o Grupo n.º 7, fundado em 20 de Maio de 1913, na Igreja Congregacional, por iniciativa de Abel dos Santos e Silva e Luciano Silva, elementos saídos do Grupo n.º 1.
Uma coisa é certa, os grupos n.ºs 1, 2 e 3 foram os fundadores da A.E.P. e constituíram o núcleo de onde irradiou o Movimento que, a partir dessa data, registou franco desenvolvimento por todo o País e, mais tarde, pelas colónias portuguesas do ultramar.
Até à fundação da AEP os jovens que pertenciam ao Movimento eram designados pelo termo inglês “scout” e o pró-prio movimento por “scouting”. Mas, desde logo, os dirigen-tes associativos fizeram questão de adoptar um vocábulo genuinamente português: ESCOTEIRO, aquele que viaja sem bagagem nem alforge, gastando por escote nas estalagens (termo registado em dicionários portugueses desde o século XVII). Portanto, os fundadores da Associação não fizeram uma tradução da palavra “scout”, mas procuraram no nosso léxico um vocábulo português aplicável.
Também a adaptação da Promessa e da Lei, mereceram cuidadoso estudo dos fundadores, embora neste capítulo tenham existido sérias divergências, pois, enquanto uns pretendiam ver nelas contemplado o sentido universalista do Movimento, aberto a todos os credos e raças, outros entendiam dever manter-se o carácter religioso proposto por Baden-Powell para a Lei e Promessa dos scouts ingleses, afirmando que B.P. preconizava que “cada escoteiro deve ter uma religião” e que o Scouting for Boys está eivado de sentimento religioso como princípio fundamental do Escotismo. O ponto essencial é que todos adorem DEUS, ainda que de diversas maneiras.
Não admira pois que tais divergências provocassem desde logo alguns conflitos e acusações mútuas de desvirtuamento dos ideais, sendo frequente observar diferentes versões da Lei e da Promessa, consoante o pensamento filosófico ou a orientação religiosa dos dirigentes.
Também a dureza de algumas expressões, de conceito militarista bem ao sabor da época, como “Juramento do Escoteiro”, em vez de “Promessa Escoteira”, ou “Compro-misso de Honra”, em lugar de “Compromisso do Escoteiro”, como imporia a tradução do inglês, não ajudaram à desejável harmonia de procedimentos, alguns insanáveis até aos nossos dias.
O RECONHECIMENTO PELO GOVERNO DA REPÚBLICA
Não podemos, portanto, afirmar que a implantação do Escotismo em Portugal tenha sido um processo fácil, dadas as muitas querelas que surgiam a nível interno, devido às diferenças de interpretação dos seus dirigentes. Todavia, ao nível externo, graças ao comportamento cívico dos escoteiros, o Escotismo ia adquirindo enorme prestígio e o bom acolhimento por parte da população e entidades oficiais.
Foi assim que, em Junho de 1916, surge o reconhecimento oficial. O Presidente da República, dr. Bernardino Machado, aceita a Presidência honorária da AEP, situação que se man-teria nas magistraturas republicanas seguintes, passando os anteriores presidentes a vice-presidentes honorários.
Em Maio de 1917, o Governo aprovou o Regulamento da Associação dos Escoteiros de Portugal, através do Decreto n. 3120 – B, cujo texto inicial afirma: “Considerando que o Escotismo é uma escola de formação de carácter e um meio valioso de preparar a mocidade para o desempenho dos seus deveres para com a Pátria e para com a Humanidade, como tem sido provado nos países em que essa instituição se tem desenvolvido…”
E logo o artigo 3.º consigna: “Em virtude do determinado no n.º 3 do artigo 15.º do regulamento, é esta associação considerada de benemerência e de beneficência para os efeitos de contribuições, impostos e franquia postal”.
A HISTÓRIA DOS GRUPOS
Apesar das assinaladas divergências, o Escotismo expandia-se e novos grupos se associavam na AEP, seguindo as suas actividades e a sua orientação.
Em 1915 já existiam 22 Grupos inscritos na AEP. Não se referem algumas dessas unidades por falta de elementos históricos. Mas é importante destacar algumas outras cuja actividade contribuiu para o prestígio alcançado pela AEP. Para além dos três já referidos, e pela ordem porque ficaram registados após a sua adesão à Associação dos Escoteiros de Portugal, seguem, resumidamente, alguns elementos de tais grupos:
Grupo n.º 4, fundado em Torres Vedras, no Instituto Poli-técnico, já existia em 1915, sendo seu escoteiro chefe Vítor Cesário da Fonseca. Tanto o Grupo como o Instituto Politécnico foram extintos em 1919, em consequência da gripe pneumónica. Em 1925 voltou a existir em Torres Vedras outro Grupo de escoteiros, o n.º 50, onde foram instrutores Joaquim Paulino Pereira e Augusto Nascimento Gonçalves
Grupo n.º 5, fundado na Escola Normal, no Calvário, em Lisboa. Consta que a sua fundação data dos primeiros tempos do movimento e foi seu escoteiro chefe António Pereira Coimbra, mas veio a ter curta duração. A Ordem de Serviço n.º 44, de 13 de Setembro de 1916 considera-o extinto por falta de escoteiro chefe e manda que seja integrado no Grupo n.º 9.
Grupo n.º 6, quando o Grupo n.º 2, por força do seu desenvolvimento, abandona as suas instalações na Rua da Esperança, para se instalar na Academia de Estudos Livres, foi forçado pela AEP a tomar o número SEIS, devido ao compromisso assumido com a Sociedade de Instrução Militar Preparatória, que quis manter reservado o n.º 2 no intuito de vir a organizar nova unidade, o que nunca chegou a concretizar-se. Em 1915 o “dois” retomou o seu número e o Grupo n.º 6 ficou sem história, até que foi retomado por uma nova unidade fundada em Olhão, na sequência de uma luzidia demonstração, realizada a 7 de Janeiro de 1925 por uma delegação do Grupo n.º 1, naquela Vila. O seu primeiro escoteiro chefe foi Humberto Martins, que também foi o introdutor do basquetebol no Algarve.
Grupo n.º 7, fundado em 20 de Maio de 1913, surge na União Cristã de Jovens da Igreja Congregacional, em Lisboa, por iniciativa de Abel dos Santos Silva e Luciano Silva, que abandonaram a UCML e, consequentemente, o Primeiro Grupo de que faziam parte, assumindo Luciano Silva a chefia do grupo. José Rodrigues, aderente entu-siasta desde a primeira hora, veio mais tarde a assumir a chefia, que deteve por muitos anos.
Grupo n.º 8, pouco se conhece sobre a existência do Grupo inicialmente inscrito na Associação com este número, sabendo-se apenas que foi em Faro, pelo que é suposto tratar-se da unidade de scouts criada por Amâncio Salgueiro Jr., que este reivindicava existir antes do grupo de Macau. Em Julho de 1916 era desligado da AEP, por razões ignoradas. O número OITO veio a ser utilizado por um grupo criado em Maio de 1952, na Igreja Evangélica Presbiteriana, situada na Rua Febo Moniz, em Lisboa, onde ainda se encontra, sendo seu primeiro escoteiro chefe Albano Costa, antigo escoteiro do Grupo n. 94.
Grupo n.º 9, fundado em 1914, por alguns escoteiros do grupo n.º 2, que viviam demasiado longe da sua sede na Esperança. Solicitaram à AEP a criação de uma nova unidade, que foi confiada a Joaquim Duarte Borrego, em casa de quem ficou inicialmente instalada a sede do Grupo, que foi depois para a Rua da Madalena, 91 e, mais tarde, para a Rua de Santa Marta, 204. Em Novembro de 1926 o Grupo foi acolhido no Ateneu Comercial de Lisboa, presti-giosa instituição que sempre ofereceu aos escoteiros todo o seu apoio. Quando em 1917, Joaquim Duarte Borrego foi chamado ao serviço militar e partiu para a guerra, em França, tomou o seu lugar na chefia João Clímaco do Nas-cimento, que dirigiu o grupo com êxito durante muitos anos.
Grupo n.º 10, fundado por Álvaro Melo Machado, na cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo), pouco depois da sua chegada a Moçambique, onde chegara em Agosto de 1914, em cumprimento de missão militar. Depois do regresso de Melo Machado, a chefia do grupo ficou entregue a Vital dos Reis Barbosa.
Grupo n.º 11, a data provável da sua fundação no Liceu de Camões terá sido em 11 de Dezembro de 1915, em que teve lugar uma festa de “cerimónia de juramento”, para a qual foram convidados os outros grupos de escoteiros de Lisboa, na qual o presidente do grupo e Reitor do Liceu fez uma conferência sobre educação.
O seu primeiro escoteiro chefe foi António Coucelo.
Esta unidade foi um alfobre de escoteiros, que vieram a desempenhar importantes cargos dirigentes nos Escoteiros de Portugal e se projectaram na vida social em elevadas posições. Bastará enunciar alguns dos seus nomes: Dinis Curson, Mário da Silva Jacquet, Alberto e Edmundo Lima Bastos, Paulo e Henrique de Barros, Francisco Caldas, Marcelo Caetano, Fausto Salazar Leite, José Maria Galvão Teles.
Dos restantes Grupos, constantes do registo de 1915, conhecem-se apenas os seguintes elementos, já que, por razões inexplicáveis, os arquivos associativos terão desaparecido, supõe-se que entre os anos trinta e quarenta do século passado.
Grupo n.º 12, existente no Liceu de Passos Manuel, em Lisboa. O actual Grupo do mesmo número, teve o seu início já nos anos 50.
Grupo n.º 13, localizado na Vivenda Alvarez, LA, na Ama-dora. Anos mais tarde, retomou a sua actividade instalado na Sociedade de Geografia, em Lisboa.
Grupo n.º 14, Rua da Junqueira, em Lisboa. Em Janeiro de 1916 instalou-se no Liceu de Gil Vicente, em Lisboa.
O mesmo número foi retomado, já na década de 50, por uma unidade instalada em Algés.
Grupo n.º 15, com a sua primeira instalação nas Esca-dinhas da Saúde, passando em Janeiro de 1916 para o Bairro do Século, Porta 2, em Lisboa. O mesmo número foi atribuído, mais tarde a uma unidade criada no Porto.
Grupo n.º 16, situado na Rua da Bela Vista à Lapa, em Lisboa, passando anos mais tarde para o Colégio inglês, em Carcavelos. Continua existindo naquela Vila, com actividade digna de nota.
Grupo n.º 17, existiu no Palácio Mancelos, no Pátio do Tijolo, em Lisboa. O número foi retomado por uma unidade instalada no Porto.
Grupo n.º 18, existiu no Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga.
Grupo n.º 19, instalado na Rua da Bombarda, em Santarém. Também na década de 50, apareceu nova unidade com este número, que continua existindo na Pontinha.
Grupo n.º 20, existiu em Aldegalega, Montijo.
Grupo n.º 21, estava instalado na Vila Bastos, 3 e passou em Janeiro de 1916 para a Trav. do Teixeira, em Lisboa.
Grupo n.º 22, existiu na Av. Elias Garcia, em Lisboa.
Grupo n.º 23, instalado na Rua Vieira da Silva, 80, em Lisboa. O actual 23 está instalado em Queluz
Não fica claro que a numeração atribuída aos Grupos corresponda à ordem da sua filiação na A.E.P., pois parece ter existido desde sempre o lamentável critério de atribuir a uma nova unidade o mesmo número de outra unidade entretanto encerrada, o que estabelece grande confusão para uma clarificação da história dos grupos.
Seria desejável que cada grupo em actividade, registasse a sua própria história, dedicando-se, outrossim, à pesquisa e divulgação da história da unidade ou unidades que o precederam. Ninguém duvidará da enorme importância que tal estudo terá para a História do Escotismo em Portugal, que um dia gostaríamos de ver publicada.
Da nossa história...(3c) PERCURSORES DO ESCOTISMO em Portugal
O TERCEIRO GRUPO
Não se conhece de quem teria sido a iniciativa de organizar no Liceu de Pedro Nunes um grupo de scouts. Talvez mesmo não tenha havido uma iniciativa individual.
Aquele Liceu era uma instituição aberta a tudo que pudesse ser útil à formação e educação dos seus alunos, graças à visão esclarecida do grande pedagogo dr. António Joaquim Sá Oliveira, que aceitou e sentiu o Escotismo.
“A criação do Grupo - afirma um dos seus membros fundadores, o pintor Carlos Botelho - ficou a dever-se principalmente ao ambiente de espírito associativo que existia no Liceu. Esse ambiente era dado pelo próprio director, dr. Sá Oliveira, que veio a ser o presidente da Associação dos Escoteiros. Ele considerava que o TRÊS não era mais do que uma aula voluntária dentro do programa do Liceu. Não há dúvida que a Associação Escolar e o Escotismo estiveram intimamente ligados, pois este veio completar as actividades daquela, já que o ambiente lhe era perfeitamente receptivo”.
É ainda Carlos Botelho que acrescenta: “ o TRÊS era um grupo muito eclético, mas muito curioso, de ex-pressões diferentes no que respeita a ideias, atitudes e até no pensamento religioso, pois tínhamos ali rapazes católicos, protestantes, neutros (entre os quais eu me situava) e tínhamos até um israelita… e todos se davam às mil maravilhas”.
Através de comunicações publicadas em 7 e 19 de Setembro de 1912, no jornal “O Século”, se conhece a existência do Grupo n. 3 da AEP. Assumiria a chefia do Grupo o comandante Jaime do Inso, figura muito conhecida, que fez parte da sua vida como oficial de marinha, no Oriente. Seguiu-se-lhe João Nolasco, que já conhecia o Escotismo desde Macau, pois fizera parte do “ante-primeiro” grupo. Em 3 de Dezembro de 1915, assumiu o cargo o eng. Henrique Carlos de Moura, sendo oficialmente nomeado em 8 de Março seguinte. Foi notável como escoteiro chefe e um grande entusiasta do Movimento até ao fim dos seus dias.
Não se conhece quem foram exactamente os rapazes que fundaram o TRÊS. Todos os escoteiros teriam de ser obrigatoriamente alunos do Liceu, aos quais se exigia bom aproveitamento. Se este faltava, o escoteiro era afastado, para que não se dissesse que a actividade prejudicava os estudos. A direcção do Grupo era constituída pelo dr. Braga Paixão, presidente, João Correia Júnior e Celestino Soares. O Grupo constituiu-se com seis patrulhas: Águia, Cão, Cavalo, Galo, Melro e Pombo e teve actividade intensa, com acampamentos e exercícios.
É geralmente reconhecido que o grande êxito do TRÊS residia no Reitor, dr. Sá Oliveira que, não fazendo parte do Grupo, era um grande escoteiro. São dele estas significativas palavras:
“ É uma bela instituição o Escotismo. O nome tem certo ar de antiguidade; a sua forma, o seu espírito e os seus fins fazem lembrar a cavalaria medieval. De criação recente, a organização deu-lha um general, e pode dizer-se que nasceu nos campos de batalha. Mas é uma instituição civil, é uma obra de paz.”
“… muitos o têm considerado um capítulo da edu-cação física. Puro engano; a cultura física é apenas uma forma do escotismo, cujo campo é bem mais largo, visando a educação dos sentidos, a cultura da inteli-gência, a depuração dos sentimentos, a formação da vontade, o desenvolvimento da personalidade…”
O Grupo n.º 3 marcou a sua presença, juntamente com o UM e o DOIS, em todos os acontecimentos da época. Depois de o dr. Sá Oliveira deixar o seu lugar no Liceu, todas as actividades circum escolares foram perdendo ritmo e foram desaparecendo. O Grupo de escoteiros encerrou em 23 de Agosto de 1920, tendo sido nomeada uma comissão liquidatária constituída pelo eng. Henrique de Moura, Gomes da Silva e Carlos Botelho. Esta comissão publicou um comunicado em que estabelecia um regulamento, em consequência do qual os antigos escoteiros se reuniam anualmente, o que foi feito com regularidade até aos anos oitenta.
O Grupo n.º 3 voltou a aparecer, no início do ano de 1933, sob a chefia do dr. José Duarte de Ayala Boto, seu antigo escoteiro, mas entretanto veio a proibição da existência de escoteiros nos estabelecimentos escolares e o grupo acabou.
Não se conhece de quem teria sido a iniciativa de organizar no Liceu de Pedro Nunes um grupo de scouts. Talvez mesmo não tenha havido uma iniciativa individual.
Aquele Liceu era uma instituição aberta a tudo que pudesse ser útil à formação e educação dos seus alunos, graças à visão esclarecida do grande pedagogo dr. António Joaquim Sá Oliveira, que aceitou e sentiu o Escotismo.
“A criação do Grupo - afirma um dos seus membros fundadores, o pintor Carlos Botelho - ficou a dever-se principalmente ao ambiente de espírito associativo que existia no Liceu. Esse ambiente era dado pelo próprio director, dr. Sá Oliveira, que veio a ser o presidente da Associação dos Escoteiros. Ele considerava que o TRÊS não era mais do que uma aula voluntária dentro do programa do Liceu. Não há dúvida que a Associação Escolar e o Escotismo estiveram intimamente ligados, pois este veio completar as actividades daquela, já que o ambiente lhe era perfeitamente receptivo”.
É ainda Carlos Botelho que acrescenta: “ o TRÊS era um grupo muito eclético, mas muito curioso, de ex-pressões diferentes no que respeita a ideias, atitudes e até no pensamento religioso, pois tínhamos ali rapazes católicos, protestantes, neutros (entre os quais eu me situava) e tínhamos até um israelita… e todos se davam às mil maravilhas”.
Através de comunicações publicadas em 7 e 19 de Setembro de 1912, no jornal “O Século”, se conhece a existência do Grupo n. 3 da AEP. Assumiria a chefia do Grupo o comandante Jaime do Inso, figura muito conhecida, que fez parte da sua vida como oficial de marinha, no Oriente. Seguiu-se-lhe João Nolasco, que já conhecia o Escotismo desde Macau, pois fizera parte do “ante-primeiro” grupo. Em 3 de Dezembro de 1915, assumiu o cargo o eng. Henrique Carlos de Moura, sendo oficialmente nomeado em 8 de Março seguinte. Foi notável como escoteiro chefe e um grande entusiasta do Movimento até ao fim dos seus dias.
Não se conhece quem foram exactamente os rapazes que fundaram o TRÊS. Todos os escoteiros teriam de ser obrigatoriamente alunos do Liceu, aos quais se exigia bom aproveitamento. Se este faltava, o escoteiro era afastado, para que não se dissesse que a actividade prejudicava os estudos. A direcção do Grupo era constituída pelo dr. Braga Paixão, presidente, João Correia Júnior e Celestino Soares. O Grupo constituiu-se com seis patrulhas: Águia, Cão, Cavalo, Galo, Melro e Pombo e teve actividade intensa, com acampamentos e exercícios.
É geralmente reconhecido que o grande êxito do TRÊS residia no Reitor, dr. Sá Oliveira que, não fazendo parte do Grupo, era um grande escoteiro. São dele estas significativas palavras:
“ É uma bela instituição o Escotismo. O nome tem certo ar de antiguidade; a sua forma, o seu espírito e os seus fins fazem lembrar a cavalaria medieval. De criação recente, a organização deu-lha um general, e pode dizer-se que nasceu nos campos de batalha. Mas é uma instituição civil, é uma obra de paz.”
“… muitos o têm considerado um capítulo da edu-cação física. Puro engano; a cultura física é apenas uma forma do escotismo, cujo campo é bem mais largo, visando a educação dos sentidos, a cultura da inteli-gência, a depuração dos sentimentos, a formação da vontade, o desenvolvimento da personalidade…”
O Grupo n.º 3 marcou a sua presença, juntamente com o UM e o DOIS, em todos os acontecimentos da época. Depois de o dr. Sá Oliveira deixar o seu lugar no Liceu, todas as actividades circum escolares foram perdendo ritmo e foram desaparecendo. O Grupo de escoteiros encerrou em 23 de Agosto de 1920, tendo sido nomeada uma comissão liquidatária constituída pelo eng. Henrique de Moura, Gomes da Silva e Carlos Botelho. Esta comissão publicou um comunicado em que estabelecia um regulamento, em consequência do qual os antigos escoteiros se reuniam anualmente, o que foi feito com regularidade até aos anos oitenta.
O Grupo n.º 3 voltou a aparecer, no início do ano de 1933, sob a chefia do dr. José Duarte de Ayala Boto, seu antigo escoteiro, mas entretanto veio a proibição da existência de escoteiros nos estabelecimentos escolares e o grupo acabou.
Da nossa história…(3b) PERCURSORES DO ESCOTISMO em Portugal
OS GRUPOS FUNDADORES
O SEGUNDO GRUPO
A presença nas ruas de Lisboa dos rapazes do Primeiro Grupo e, depois, a valiosa e brilhante campanha de propa-ganda do Scouting promovida pelo jornal “O SÉCULO”, cria-ram um ambiente propício à fundação de novas unidades.
Entretanto, chegara já a Lisboa o tenente Álvaro de Melo Machado, que em Macau fundara um grupo de scouts e, segundo as suas palavras se entusiasmara pelo escotismo, por considerar que se tratava de “um admirável processo de educação da juventude” e se convencera de que “através dele seria possível modificar a mentalidade da gente portuguesa, se pudesse conseguir que muitos milhares de rapazes se filiassem nos grupos que viessem a organizar-se”.
Assim, segundo o relato do escoteiro chefe Abílio dos Santos, que veio a substituir Melo Machado quando este partiu de novo (para Moçambique, onde viria a criar novo grupo - o n. 10) e de António Xavier de Brito, que foi guia da patrulha Cão, ambos escoteiros da primeira hora no Segundo Grupo…
Numa noite de Outubro de 1912, a Sociedade de Instru-ção Militar Preparatória n. 2, com sede na Trav. do Guarda-Mor, no velho bairro da Esperança, abriu as suas portas à rapaziada, que encheu completamente uma das suas salas, entusiasmada com a ideia de poder praticar a vida saudável e cheia de aventura dos boy scouts.
Quem estava ali para seleccionar os rapazes e fazer a sua inscrição, era exactamente o jovem oficial de marinha que regressara de Macau. Parece que havia também a colaboração dos irmãos Simões, grandes nadadores na época, que iriam ser instrutores.
Melo Machado, nessa mesma noite, formou as patrulhas Águia, Cão, Gato e Pato. Só da Gato temos a constituição completa: Abílio dos Santos, guia; Nuno de Zea Bermudes, sub-guia; Américo Salvador da Costa, José de Meneses, Manuel de Sousa Duarte Borrego e Mário Florindo. Xavier de Brito foi o guia da Cão.
Em 3 de Novembro de 1912, o Segundo Grupo fez a sua primeira apresentação num exercício realizado no Campo Grande e, a partir daí, as actividades sucederam-se, até que chegou o momento da sua inauguração oficial. Esta realizou-se no dia de Natal, no Coliseu de Lisboa (na Rua da Palma) a abarrotar de público, aproveitando uma festa promovida pela Loja Maçónica Madrugada. O dia começou com alvorada por um terno de corneteiros e saudação à Bandeira Nacional pelos scouts. Durante a festa de Natal no Coliseu, os scouts fizeram exibições, prestaram compromisso de honra e distribuíram bolos e brindes às crianças presentes.
Quando a sede de que o grupo dispunha na Esperança se tornou insuficiente, perante o desenvolvimento que o grupo atingia, este mudou para a Academia dos Estudos Livres, que era nessa altura na Rua da Paz.
Mas por força dessa mudança (já na existência da A.E.P.), o Grupo foi forçado a tomar o nº. 6, uma vez que a Sociedade de Instrução Militar Preparatória quis manter o direito ao nº. 2, no intuito de ali organizar nova unidade, o que nunca veio a acontecer.
Só em 1915 o grupo retomou o nº. 2, já então instalado no palacete da Rua da Emenda n. 53, para onde a Academia de Estudos Livres entretanto se mudara. Era, então, seu escoteiro chefe Abílio dos Santos, porque Melo Machado fora mandado para Moçambique, como foi dito anteriormente.
Em Dezembro de 1920, o Grupo nº. 2 sofreu uma curiosa metamorfose; aparece como “Corpo de Escoteiros da Cruzada das Mulheres Portuguesas”.
Possuía um Conselho Geral, com a seguinte constituição:
Presidente: Dr. Alfredo Tovar de Lemos
Vice-presidente: D. Isabel Grau Tovar de Lemos
Vice-presidente: Cap.Frag. João Manuel de Carvalho
Comissário geral: Franklin António de Oliveira
Secretário-geral: D. Ana de Castro Osório
Secretário auxiliar: Alferes José Bernardo
Tesoureiro: Carlos Azinhais
Eram vogais: José Joaquim Oliveira, Jorge Fernandes e José Nicolau Homem Belino.
Tinha, ainda, como damas protectoras, as senhoras D. Maria Isabel da Conceição e, como representantes da referida Cruzada, D. Júlia Leal da Câmara e D. Maria Felizarda Coelho.
Aproveitando a confusão que então grassava nas estruturas da AEP, este Corpo pretendeu criar uma orga-nização, como se de uma associação se tratasse, embora continuando filiado na A.E.P.
Constituiu assim a ALA DE LISBOA, tendo como escoteiro chefe Rolando Taveira Garcia. A ALA tinha as seguintes unidades:
1º Grupo de Escoteiras – Rua do Benformoso, 226, chefiado por D. Judite Franco
1ª Alcateia de Lobitos – Calçada dos Caetanos, 48, dirigida por Jaime Pires Gomes
1º Grupo de Escoteiros – Instituto dos Mutilados de Guerra – Arroios, chefiado por Artur Ferreira do Carmo
2º Grupo de Escoteiros – Calçada dos Caetanos, 48, chefiado por António Serra
3º Grupo de Escoteiros – Ministério dos Negócios Estrangeiros – Necessidades, chefiado por Álvaro Lima
4º Grupo de Escoteiros – Escola de Veiga Beirão, chefiado por Luís Grau Tovar de Lemos
5º Grupo de escoteiros – Rua do Meio à Lapa, 85, chefiado por Francisco Fernandes.
Em Agosto de 1921, as unidades de escoteiros acima relacionadas passaram a designar-se pelas letras A a E, certamente para ultrapassar objecções postas pela A.E.P.
Dos chefes daquelas unidades, vieram a distinguir-se Luís Grau Tovar de Lemos, como chefe do Grupo nº. 2 da A.E.P., e Artur Ferreira do Carmo, que veio a ser chefe do Grupo nº. 5 da A.E.P. (no qual o referido 1º grupo se inte-grou), instalado na Escola Normal, na Rua 1º de Maio e do qual foi primeiro chefe António Pereira Coimbra.
Mais tarde, cerca de 1925, o Grupo nº. 2 mudou a sua sede para a Escola Comercial de Rodrigues Sampaio, na Calçada do Combro e Luís Grau Tovar de Lemos seria por muitos anos o seu escoteiro chefe, período durante o qual se tornou numa unidade com grande efectivo e de muita actividade, isto até 1936, data em que o Grupo foi forçado a abandonar a sede que possuía no edifício daquela Escola, na Travessa do Judeu, em consequência de se ir instalar ali a recém nascida Mocidade Portuguesa.
O Grupo n. 2 da AEP manteve-se sempre em actividade, ainda que sofrendo as consequências das muitas mudanças de local da sua sede, a que se viu obrigado, por força das circunstâncias.
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