O TERCEIRO GRUPO
Não se conhece de quem teria sido a iniciativa de organizar no Liceu de Pedro Nunes um grupo de scouts. Talvez mesmo não tenha havido uma iniciativa individual.
Aquele Liceu era uma instituição aberta a tudo que pudesse ser útil à formação e educação dos seus alunos, graças à visão esclarecida do grande pedagogo dr. António Joaquim Sá Oliveira, que aceitou e sentiu o Escotismo.
“A criação do Grupo - afirma um dos seus membros fundadores, o pintor Carlos Botelho - ficou a dever-se principalmente ao ambiente de espírito associativo que existia no Liceu. Esse ambiente era dado pelo próprio director, dr. Sá Oliveira, que veio a ser o presidente da Associação dos Escoteiros. Ele considerava que o TRÊS não era mais do que uma aula voluntária dentro do programa do Liceu. Não há dúvida que a Associação Escolar e o Escotismo estiveram intimamente ligados, pois este veio completar as actividades daquela, já que o ambiente lhe era perfeitamente receptivo”.
É ainda Carlos Botelho que acrescenta: “ o TRÊS era um grupo muito eclético, mas muito curioso, de ex-pressões diferentes no que respeita a ideias, atitudes e até no pensamento religioso, pois tínhamos ali rapazes católicos, protestantes, neutros (entre os quais eu me situava) e tínhamos até um israelita… e todos se davam às mil maravilhas”.
Através de comunicações publicadas em 7 e 19 de Setembro de 1912, no jornal “O Século”, se conhece a existência do Grupo n. 3 da AEP. Assumiria a chefia do Grupo o comandante Jaime do Inso, figura muito conhecida, que fez parte da sua vida como oficial de marinha, no Oriente. Seguiu-se-lhe João Nolasco, que já conhecia o Escotismo desde Macau, pois fizera parte do “ante-primeiro” grupo. Em 3 de Dezembro de 1915, assumiu o cargo o eng. Henrique Carlos de Moura, sendo oficialmente nomeado em 8 de Março seguinte. Foi notável como escoteiro chefe e um grande entusiasta do Movimento até ao fim dos seus dias.
Não se conhece quem foram exactamente os rapazes que fundaram o TRÊS. Todos os escoteiros teriam de ser obrigatoriamente alunos do Liceu, aos quais se exigia bom aproveitamento. Se este faltava, o escoteiro era afastado, para que não se dissesse que a actividade prejudicava os estudos. A direcção do Grupo era constituída pelo dr. Braga Paixão, presidente, João Correia Júnior e Celestino Soares. O Grupo constituiu-se com seis patrulhas: Águia, Cão, Cavalo, Galo, Melro e Pombo e teve actividade intensa, com acampamentos e exercícios.
É geralmente reconhecido que o grande êxito do TRÊS residia no Reitor, dr. Sá Oliveira que, não fazendo parte do Grupo, era um grande escoteiro. São dele estas significativas palavras:
“ É uma bela instituição o Escotismo. O nome tem certo ar de antiguidade; a sua forma, o seu espírito e os seus fins fazem lembrar a cavalaria medieval. De criação recente, a organização deu-lha um general, e pode dizer-se que nasceu nos campos de batalha. Mas é uma instituição civil, é uma obra de paz.”
“… muitos o têm considerado um capítulo da edu-cação física. Puro engano; a cultura física é apenas uma forma do escotismo, cujo campo é bem mais largo, visando a educação dos sentidos, a cultura da inteli-gência, a depuração dos sentimentos, a formação da vontade, o desenvolvimento da personalidade…”
O Grupo n.º 3 marcou a sua presença, juntamente com o UM e o DOIS, em todos os acontecimentos da época. Depois de o dr. Sá Oliveira deixar o seu lugar no Liceu, todas as actividades circum escolares foram perdendo ritmo e foram desaparecendo. O Grupo de escoteiros encerrou em 23 de Agosto de 1920, tendo sido nomeada uma comissão liquidatária constituída pelo eng. Henrique de Moura, Gomes da Silva e Carlos Botelho. Esta comissão publicou um comunicado em que estabelecia um regulamento, em consequência do qual os antigos escoteiros se reuniam anualmente, o que foi feito com regularidade até aos anos oitenta.
O Grupo n.º 3 voltou a aparecer, no início do ano de 1933, sob a chefia do dr. José Duarte de Ayala Boto, seu antigo escoteiro, mas entretanto veio a proibição da existência de escoteiros nos estabelecimentos escolares e o grupo acabou.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Da nossa história…(3b) PERCURSORES DO ESCOTISMO em Portugal
OS GRUPOS FUNDADORES
O SEGUNDO GRUPO
A presença nas ruas de Lisboa dos rapazes do Primeiro Grupo e, depois, a valiosa e brilhante campanha de propa-ganda do Scouting promovida pelo jornal “O SÉCULO”, cria-ram um ambiente propício à fundação de novas unidades.
Entretanto, chegara já a Lisboa o tenente Álvaro de Melo Machado, que em Macau fundara um grupo de scouts e, segundo as suas palavras se entusiasmara pelo escotismo, por considerar que se tratava de “um admirável processo de educação da juventude” e se convencera de que “através dele seria possível modificar a mentalidade da gente portuguesa, se pudesse conseguir que muitos milhares de rapazes se filiassem nos grupos que viessem a organizar-se”.
Assim, segundo o relato do escoteiro chefe Abílio dos Santos, que veio a substituir Melo Machado quando este partiu de novo (para Moçambique, onde viria a criar novo grupo - o n. 10) e de António Xavier de Brito, que foi guia da patrulha Cão, ambos escoteiros da primeira hora no Segundo Grupo…
Numa noite de Outubro de 1912, a Sociedade de Instru-ção Militar Preparatória n. 2, com sede na Trav. do Guarda-Mor, no velho bairro da Esperança, abriu as suas portas à rapaziada, que encheu completamente uma das suas salas, entusiasmada com a ideia de poder praticar a vida saudável e cheia de aventura dos boy scouts.
Quem estava ali para seleccionar os rapazes e fazer a sua inscrição, era exactamente o jovem oficial de marinha que regressara de Macau. Parece que havia também a colaboração dos irmãos Simões, grandes nadadores na época, que iriam ser instrutores.
Melo Machado, nessa mesma noite, formou as patrulhas Águia, Cão, Gato e Pato. Só da Gato temos a constituição completa: Abílio dos Santos, guia; Nuno de Zea Bermudes, sub-guia; Américo Salvador da Costa, José de Meneses, Manuel de Sousa Duarte Borrego e Mário Florindo. Xavier de Brito foi o guia da Cão.
Em 3 de Novembro de 1912, o Segundo Grupo fez a sua primeira apresentação num exercício realizado no Campo Grande e, a partir daí, as actividades sucederam-se, até que chegou o momento da sua inauguração oficial. Esta realizou-se no dia de Natal, no Coliseu de Lisboa (na Rua da Palma) a abarrotar de público, aproveitando uma festa promovida pela Loja Maçónica Madrugada. O dia começou com alvorada por um terno de corneteiros e saudação à Bandeira Nacional pelos scouts. Durante a festa de Natal no Coliseu, os scouts fizeram exibições, prestaram compromisso de honra e distribuíram bolos e brindes às crianças presentes.
Quando a sede de que o grupo dispunha na Esperança se tornou insuficiente, perante o desenvolvimento que o grupo atingia, este mudou para a Academia dos Estudos Livres, que era nessa altura na Rua da Paz.
Mas por força dessa mudança (já na existência da A.E.P.), o Grupo foi forçado a tomar o nº. 6, uma vez que a Sociedade de Instrução Militar Preparatória quis manter o direito ao nº. 2, no intuito de ali organizar nova unidade, o que nunca veio a acontecer.
Só em 1915 o grupo retomou o nº. 2, já então instalado no palacete da Rua da Emenda n. 53, para onde a Academia de Estudos Livres entretanto se mudara. Era, então, seu escoteiro chefe Abílio dos Santos, porque Melo Machado fora mandado para Moçambique, como foi dito anteriormente.
Em Dezembro de 1920, o Grupo nº. 2 sofreu uma curiosa metamorfose; aparece como “Corpo de Escoteiros da Cruzada das Mulheres Portuguesas”.
Possuía um Conselho Geral, com a seguinte constituição:
Presidente: Dr. Alfredo Tovar de Lemos
Vice-presidente: D. Isabel Grau Tovar de Lemos
Vice-presidente: Cap.Frag. João Manuel de Carvalho
Comissário geral: Franklin António de Oliveira
Secretário-geral: D. Ana de Castro Osório
Secretário auxiliar: Alferes José Bernardo
Tesoureiro: Carlos Azinhais
Eram vogais: José Joaquim Oliveira, Jorge Fernandes e José Nicolau Homem Belino.
Tinha, ainda, como damas protectoras, as senhoras D. Maria Isabel da Conceição e, como representantes da referida Cruzada, D. Júlia Leal da Câmara e D. Maria Felizarda Coelho.
Aproveitando a confusão que então grassava nas estruturas da AEP, este Corpo pretendeu criar uma orga-nização, como se de uma associação se tratasse, embora continuando filiado na A.E.P.
Constituiu assim a ALA DE LISBOA, tendo como escoteiro chefe Rolando Taveira Garcia. A ALA tinha as seguintes unidades:
1º Grupo de Escoteiras – Rua do Benformoso, 226, chefiado por D. Judite Franco
1ª Alcateia de Lobitos – Calçada dos Caetanos, 48, dirigida por Jaime Pires Gomes
1º Grupo de Escoteiros – Instituto dos Mutilados de Guerra – Arroios, chefiado por Artur Ferreira do Carmo
2º Grupo de Escoteiros – Calçada dos Caetanos, 48, chefiado por António Serra
3º Grupo de Escoteiros – Ministério dos Negócios Estrangeiros – Necessidades, chefiado por Álvaro Lima
4º Grupo de Escoteiros – Escola de Veiga Beirão, chefiado por Luís Grau Tovar de Lemos
5º Grupo de escoteiros – Rua do Meio à Lapa, 85, chefiado por Francisco Fernandes.
Em Agosto de 1921, as unidades de escoteiros acima relacionadas passaram a designar-se pelas letras A a E, certamente para ultrapassar objecções postas pela A.E.P.
Dos chefes daquelas unidades, vieram a distinguir-se Luís Grau Tovar de Lemos, como chefe do Grupo nº. 2 da A.E.P., e Artur Ferreira do Carmo, que veio a ser chefe do Grupo nº. 5 da A.E.P. (no qual o referido 1º grupo se inte-grou), instalado na Escola Normal, na Rua 1º de Maio e do qual foi primeiro chefe António Pereira Coimbra.
Mais tarde, cerca de 1925, o Grupo nº. 2 mudou a sua sede para a Escola Comercial de Rodrigues Sampaio, na Calçada do Combro e Luís Grau Tovar de Lemos seria por muitos anos o seu escoteiro chefe, período durante o qual se tornou numa unidade com grande efectivo e de muita actividade, isto até 1936, data em que o Grupo foi forçado a abandonar a sede que possuía no edifício daquela Escola, na Travessa do Judeu, em consequência de se ir instalar ali a recém nascida Mocidade Portuguesa.
O Grupo n. 2 da AEP manteve-se sempre em actividade, ainda que sofrendo as consequências das muitas mudanças de local da sua sede, a que se viu obrigado, por força das circunstâncias.
Da nossa história…(3a) PERCURSORES DO ESCOTISMO em Portugal
OS GRUPOS FUNDADORES
NOTA: Já se fez referência à possível existência de grupos de scouts em vários pontos do País, à data da fundação da Associação dos Escoteiros de Portugal. Porém, o facto de apenas três desses grupos terem fundado aquela Associação e o conhecimento concreto da sua história, dá-lhes legitimidade para serem considerados os primeiros grupos de escoteiros em Portugal.
O PRIMEIRO GRUPO
Em 1912, a União Cristã da Mocidade de Lisboa, assim chamada quando foi fundada em 1898, era um alfobre de juventude, onde se praticava desporto e fomentava a cultura. A sua direcção era assim constituída: presidente, Robert Moreton; vice-presidente, José Augusto Leal; secretários, Joaquim Correia e Romão Peres; tesoureiro, Eduardo Moreira; vogais, Francisco do Nascimento, Carlos Ferreira e Paulo Torres. Rodolfo Horner era o secretário-geral executivo. Personalidade de eleição, fomentou uma extraordinária obra cultural.
Foi ali, na Rua das Gaivotas n.º 6, que nos primeiros dias de Março, se dirigiram dois jovens britânicos, Frank Giles e John Brown e, recebidos por Robert Moreton e Rodolfo Horner, propuseram a fundação de um grupo de scouts. Bem recebida, a proposta foi transmitida à direcção e naturalmente aprovada logo em 22 de Março.
O grupo constituiu-se, além de Frank Giles e John Brown, chefe e chefe-ajudante, com os seguintes jovens, que prestaram o seu compromisso de honra: A. G. Gomes, Armando Ramos, Evaristo Pires Ramos, Horácio Nunes Delgado, José Maximiano Silva, Júlio Ribeiro da Costa (conhecido mais tarde como capitão Ribeiro da Costa, muito ligado aos meios desportivos), Luís Clington Lobo e Romérito Rodrigues Pampulim.
A sessão inaugural efectuou-se no dia 9 de Abril de 1912, na sede da União, presidida por Robert Moreton. Rodolfo Horner e Frank Giles falaram acerca do Scouting.
Entretanto, surgiram novas adesões e organizam-se duas patrulhas; a primeira teve como guia João Paulo da Cruz e sub-guia António Santa Marta, da segunda Humberto Martins era o guia e sub-guia João Garcia David; logo de seguida foi criada a terceira patrulha, com Ernesto de Sousa e Francisco Caetano Dias.
Merece a pena fazer aqui uma pausa para destacar alguns destes nomes. Ernesto de Sousa, em consequência de Frank Giles encontrar dificuldade na sua relação com os rapazes, por dominar mal a língua portuguesa, veio a ser convidado para escoteiro-chefe, cargo que não aceitou de imediato, para se instruir melhor no método do Scouting, mas que veio depois a desempenhar revelando-se um dirigente excepcional, que imprimiu ao grupo grande desenvolvimento e actividade notável. Com a sua partida para os Estados Unidos, seguiu-se-lhe Cosme Vieira Leitão na chefia e, mais tarde, Humberto Martins foi outro chefe do grupo. Ambos se tornaram notáveis e prestaram grandes serviços ao Escotismo. Humberto Martins foi, chefe de vários grupos no Algarve, no período em que ali fixou residência. Foi presidente da Fraternal dos Antigos Escoteiros e acompanhou sempre com muito interesse o Movimento, até Outubro de 1978, data do seu falecimento.
Frank Giles, o jovem que teve a iniciativa de fundar o Grupo, foi chamado em 1914 ao serviço militar na sua pátria, tendo morrido em combate em terras de França.
Fazendo prova do seu próprio dinamismo e do da UCML, a que estava ligado, o Primeiro Grupo começou logo a propaganda, realizando em 17 de Agosto de 1912 uma sessão, presidida pelo dr. Joaquim Leite Júnior, onde falaram também Roberto Moreton, presidente da direcção, e Frank Giles, chefe do grupo. Uma assistência de mais de 200 pessoas seguiu com muito interesse a conferência.
Em 21 de Novembro seguinte, efectuou-se nova sessão de propaganda, desta vez na Liga Naval portuguesa. Foi presidida pelo educador dr. Ricardo Borges de Sousa, figura que surge mais tarde ligada ao grupo n. 3 da A.E.P.
Roberto Moreton apresentou projecções luminosas sobre “A vida dos scouts em Inglaterra”. Esta sessão despertou grande entusiasmo na enorme assistência e a Imprensa deu boa cobertura ao acontecimento.
Um facto importa salientar: o grupo n.º 1 teve influência excepcional na juventude, o que se integrava perfeitamente nos objectivos da UCML. Mas foram as personalidades de Rodolfo Horner, Roberto Moreton e Eduardo Moreira os grandes pólos desta atracção.
Logo no início do Grupo foi feita uma versão portuguesa da “Lei dos scouts”, naturalmente por adaptação da lei do movimento britânico. Foi esta a fórmula adoptada:
1º Um scout é sempre de reconhecida honradez.
2º Um scout é fiel à sua pátria e às autoridades da mesma.
3º A obrigação de um scout é ser útil e ajudar todos.
4º Um scout é um amigo de todos e irmão de todos os outros scouts, qualquer que seja a classe social a que pertençam.
5º Um scout é cortês.
6º Um scout é amigo de todos os animais.
7º Um scout obedece às ordens do “Patrolleader” ou do “Scoutmaster”, sem fazer questão.
8º Um scout deve aparentar sempre boa disposição de espírito em qualquer circunstância em que se encontre.
9º Um scout deve ser económico.
10º Um scout é puro em palavras, pensamentos e acções.
O Primeiro Grupo, que passou a designar-se Grupo n. 1 da AEP, continua hoje em actividade, continuan-do, igualmente ligado à Associação Cristã da Mocidade.
Da nossa história…(2) PERCURSORES DO ESCOTISMO EM PORTUGAL
A primeira tentativa de organizar um grupo de “scouts” em território de administração portuguesa ocorreu em Macau, em 1911, por iniciativa do então tenente Álvaro de Melo Machado, governador da colónia. É o próprio fundador do grupo que nos conta como isso aconteceu: “Quando estava em Macau, eu sabia pouco de inglês. Todavia, tinha necessidade de aumentar os meus conhecimentos, porque estávamos em contacto permanente com as autoridades de Hong Kong. Arranjei, por isso, um jovem inglês – Mr. Nightingale – que ia todos os dias conversar comigo nessa língua, porque eu não tinha tempo de estudar gramática. Durante essas conversas, o rapaz falou-me, com entusiasmo, no movimento dos boy scouts. Como eu mostrasse curiosi-dade por essa organização, arranjou-me um manual escotista, o Scouting for Boys. Achei-o muito interessante e lembrei-me de me servir do método para tentar modificar a mentalidade dos jovens portugueses.
Foi assim que fundei o movimento escotista em Macau, com a ajuda de dois rapazes, um dos quais tenente de infantaria, o Ernesto Torre do Vale, que foi precioso auxiliar.
Como eu era o governador de Macau, protegia muito os rapazes. Pessoa que ali caía, dizia-lhe logo: - Você tem de me ajudar nos escoteiros! Arranjei-lhes material, barracas e outras coisas. Os rapazes faziam o policiamento do campo de ténis. Em troca, oferecíamos-lhes chá.”
Noutra oportunidade, referiu Melo Machado que, graças à colaboração referida, do professor de inglês Nightingale e de Miss Campbell, filha do comissário da alfândega chinesa, foram constituídas duas patrulhas de escoteiras e duas de escoteiros que, rapidamente uniformizadas, iniciaram os seus
exercícios e prática de acampamento com grande entusiasmo. E acrescenta:
“E foi assim que, desde o primeiro momento, se começou a traduzir, a adaptar e imprimir o Scouting for Boys. Saí de Macau quando apenas algumas folhas deste trabalho estavam impressas e com elas vim para Lisboa, para tentar de novo, já na Associação dos Escoteiros de Portugal, a publicação do manual do escotismo português. Mais algumas folhas impressas e outra vez essa publicação emperrou, com a minha partida para Lourenço Marques, em 1914.”
É esta a história do Grupo de scouts de Macau. Com o regresso a Lisboa do seu fundador o grupo rapidamente desapareceu. Não passou pois de uma tentativa, cujo mérito cabe inteiramente ao seu fundador, que revelou perfeita compreensão do método, de tal forma que, logo que chegou a Lisboa, se
envolveu na fundação daquele que viria a ser o 2º Grupo da A.E.P.
Reflexões
Há, no entanto, sérias dúvidas se o grupo de Macau teria sido de facto o primeiro fundado em território português.
Frank Giles, chefe fundador do 1º Grupo da A.E.P. dizia, logo nos primeiros tempos do seu grupo, que em Coimbra e no Porto também existiam scouts. Confirma-se, portanto, que em 1912 já havia scouts nessas cidades. Há quanto tempo?
Também os antigos escoteiros do Algarve reclamaram para Olhão a prioridade da fundação do Escotismo, numa iniciativa de Amâncio Salgueiro Jr., que alegam ter sido anterior à de Macau.
Uma coisa é certa, os grupos n.ºs 1, 2 e 3 foram os fundadores da A.E.P. e constituíram o núcleo de onde irradiou o Movimento, mas reconhece-se que simultaneamente eram criados grupos de scouts noutros pontos do País.
(extraído de História dos Escoteiros de Portugal, de Eduardo Ribeiro – Cap.IV)
Da nossa história…(1) PERCURSORES DO ESCOTISMO EM PORTUGAL
Em 17 de Agosto de 1912, o recém fundado grupo de “Boy Scouts”da União Cristã da Mocidade, que viria a ser o primeiro da Associação dos Escoteiros de Portugal, realizou uma sessão de divulgação do “scouting”, em que foram oradores Frank Giles, chefe daquela unidade, e o dr. Joaquim Leite Jr. Nos prospectos de propaganda da sessão, este foi apresentado como o “iniciador dos Boy Scouts em Coimbra”.
O dr. Leite Jr. enalteceu a causa dos ”Boy Scouts” como uma obra altamente educativa e moralizadora, evidenciando como um trabalho deste género é um benefício valioso com que a Pátria muito tem a lucrar.
Referiu-se também à passagem por Coimbra do Presidente da República, quando reitor da Universidade, à sua simpatia pelo Batalhão Infantil Voluntário da Paz, e disse que esperava que se mantivesse a mesma simpatia por essa causa.
Foi o reverendo Eduardo Moreira quem chamou a atenção para este “Batalhão Infantil”, em artigo publicado em “Sempre Pronto” em Abril de 1973, dizendo que o dr. Leite Jr. formara este agrupamento em 1907, em Paço de Botão, referindo uma fotografia “com treze dos rapazinhos e o seu tambor…”
Se o “scoutmaster” do Primeiro Grupo apresenta o dr. Joaquim Leite Jr. como iniciador dos “boy scouts” em Coimbra, não estará essa iniciação relacionada com o Batalhão da Paz? Lembremo-nos, como veremos adiante, que por esta altura eram imaginadas inúmeras designações para o termo inglês “boy scouts”.
A admitirmos esta hipótese, teríamos de concluir que o primeiro ensaio do “scouting” em Portugal teria sido feito a partir do ano de 1907, logo no início do Movimento e em Coimbra. Não será de estranhar este conhecimento tão precoce do “scouting”, sabendo-se que o dr. Leite Jr. era amigo e cooperador dos súbditos britânicos S.E. Mac Nair e dr. John Opie, figuras muito conhecidas na capital do Mondego, por serem leitores de inglês na Universidade.
(extraído de História dos Escoteiros de Portugal, de Eduardo Ribeiro – Cap.IV)
O dr. Leite Jr. enalteceu a causa dos ”Boy Scouts” como uma obra altamente educativa e moralizadora, evidenciando como um trabalho deste género é um benefício valioso com que a Pátria muito tem a lucrar.
Referiu-se também à passagem por Coimbra do Presidente da República, quando reitor da Universidade, à sua simpatia pelo Batalhão Infantil Voluntário da Paz, e disse que esperava que se mantivesse a mesma simpatia por essa causa.
Foi o reverendo Eduardo Moreira quem chamou a atenção para este “Batalhão Infantil”, em artigo publicado em “Sempre Pronto” em Abril de 1973, dizendo que o dr. Leite Jr. formara este agrupamento em 1907, em Paço de Botão, referindo uma fotografia “com treze dos rapazinhos e o seu tambor…”
Se o “scoutmaster” do Primeiro Grupo apresenta o dr. Joaquim Leite Jr. como iniciador dos “boy scouts” em Coimbra, não estará essa iniciação relacionada com o Batalhão da Paz? Lembremo-nos, como veremos adiante, que por esta altura eram imaginadas inúmeras designações para o termo inglês “boy scouts”.
A admitirmos esta hipótese, teríamos de concluir que o primeiro ensaio do “scouting” em Portugal teria sido feito a partir do ano de 1907, logo no início do Movimento e em Coimbra. Não será de estranhar este conhecimento tão precoce do “scouting”, sabendo-se que o dr. Leite Jr. era amigo e cooperador dos súbditos britânicos S.E. Mac Nair e dr. John Opie, figuras muito conhecidas na capital do Mondego, por serem leitores de inglês na Universidade.
(extraído de História dos Escoteiros de Portugal, de Eduardo Ribeiro – Cap.IV)
sábado, 6 de dezembro de 2008
CONTACTOS
Fraternal dos Antigos Escoteiros de Portugal
Rua de S. Paulo, n.º 254, 1.º
1200-430 Lisboa
Portugal
Telefone (00 351) 21 347 70 25
faep.nacional@gmail.com
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A FRATERNAL DOS ANTIGOS ESCOTEIROS DE PORTUGAL
A FAEP foi criada em 11 de Março de 1950, como Departamento da ASSOCIAÇÃO DOS ESCOTEIROS DE PORTUGAL (AEP), para o estudo e divulgação do Movimento Escotista e, especialmente dedicada a congregar os Antigos Escoteiros, de acordo com os art. 22.º e 23.º dos seus Estatutos de então.
A FAEP, é actualmente uma instituição dotada de identidade própria e personalidade jurídica, de acordo com os seus novos Estatutos, aprovados em 30/10/99.
Mantém os mesmos laços e afinidades com a AEP, a qual, na sua Conferência Nacional de 9-10/12/2000, deu o seu pleno acordo à alteração estatutária e reconheceu, por aclamação, os mesmos princípios e direitos que a FAEP detinha.
A AEP distinguiu a FAEP com a Lis de Prata, em 11/3/2000 e posteriormente veio a considerá-la como Sócio-Honorário, (C. N. de 24-25/11/2001).
A MISSÃO da Fraternal dos Antigos Escoteiros de Portugal é:
1. Reunir antigos escoteiros com vontade de continuar a viver o espírito escotista;
A FAEP, é actualmente uma instituição dotada de identidade própria e personalidade jurídica, de acordo com os seus novos Estatutos, aprovados em 30/10/99.
Mantém os mesmos laços e afinidades com a AEP, a qual, na sua Conferência Nacional de 9-10/12/2000, deu o seu pleno acordo à alteração estatutária e reconheceu, por aclamação, os mesmos princípios e direitos que a FAEP detinha.
A AEP distinguiu a FAEP com a Lis de Prata, em 11/3/2000 e posteriormente veio a considerá-la como Sócio-Honorário, (C. N. de 24-25/11/2001).
A MISSÃO da Fraternal dos Antigos Escoteiros de Portugal é:
1. Reunir antigos escoteiros com vontade de continuar a viver o espírito escotista;
2. Encoraqjá-los a guardar sempre bem vivo o espírito da Promessa e da Lei, tal como estabelecidos por Baden-Powell;
3. Ajudá-los a introduzir esse espírito nas comunidades em que vivem e trabalham, prestando serviço efectivo a essas comunidades;
4. Dar suporte activo ao Movimento Escotista, através da Associação dos Escoteiros de Portugal.
Os seus membros podem ser:
a) membros individuais:
- antigos escoteiros e escoteiras;
- dirigentes ou escoteiros activos adultos;
- outras pessoas que não tendo pertencido ao escotismo se comprometam com os fins da associação.
b) membros colectivos:
- grupos de escoteiros da AEP;
- entidades que apoiem o Movimento Escotista.
A FAEP tem como órgãos nacionais (eleitos trienalmente em Conselho Nacional):
a) O Conselho Nacional
b) O Conselho Director
c) O Conselho Fiscal e Jurisdicional
A FAEP para melhor desempenhar a sua acção ao nível local, organiza-se em Núcleos Locais, junto de um ou mais grupos da AEP.
Em cada Núcleo, existe uma Equipa Coordenadora, eleita trienalmente pelos membros do Núcleo.
Para estabelecer uma melhor ligação entre os Núcleos Locais de uma determinada região, o Conselho Director poderá nomear delegados, que o representam localmente.
Dentro da limitação de disponibilidade dos seus associados, a FAEP desenvolve um leque variado de actividades, aos vários níveis, seguindo os ideais do Espírito Escotista e do Escotismo Adulto.
• Reforço do companheirismo, da coesão e da dinâmica de grupo;
• Acções de formação contínua;
• Apoio a actividades de protecção da natureza e do ambiente;
• Boas Acções colectivas;
• Apoio a actividades da AEP, a todos os níveis;
• Apoio a actividades de Protecção Civil;
• Apoio comunitário;
• Acampamentos;
• Caminhadas;
• Encontros de confraternização e reforço de amizades.
Núcleos Locais - a FAEP junto dos Grupos
Idealmente, os Núcleos Locais da FAEP nascem junto de Grupos da AEP, dos quais é oriunda a maioria dos seus associados.
Esta proximidade e ligação natural ao Grupo traz duas grandes vantagens para a AEP.
1.ª - Desenvolvendo acções ou actividades sociais conjuntas com escoteiros, sempre que solicitado e em ligação com os seus dirigentes, sendo, assim, uma valiosa fonte de recursos humanos com conhecimento e experiência sobre a prática escotista.
2.ª - A continuidade de uma ligação ao Escotismo, após a saída da AEP por motivos pessoais e/ou profissionais, cria mais oportunidades e sentimentos para que, mais tarde, estes adultos queiram regressar ao activo na AEP, como dirigentes.
O Escotismo Adulto em Portugal
A Fraternal dos Antigos Escoteiros de Portugal (FAEP) integra conjuntamente com a Associação das Antigas Guias (AAG), fundada em 29/3/92 e a Fraternidade Nuno Alvares (FNA) fundada em 30/3/55, o COMITÉ PORTUGUÊS DOS ANTIGOS ESCOTEIROS E GUIAS (designado por AEG) fundado em 6/7/92, entidade que tem como finalidade representar os Antigos Escoteiros e Guias de Portugal, perante as instâncias internacionais, especialmente no relacionamento oficial com a ISGF/AISG.
Como deve a FAEP interagir com a AEP?
A interacção da FAEP com a AEP pressupõe que haja sempre, da parte desta (das Regiões ou dos Grupos), convite dirigido à FAEP.
Esta interacção deve reflectir, a todo o momento, o carácter de apoio activo à AEP que é parte da MISSÃO da FAEP.
Este apoio activo pode traduzir-se…
• Na preparação de grandes acampamentos ou actividades;
• Na reparação de sedes, na sua construção ou na montagem de exposições;
• No contacto com as autoridades locais ou outras entidades;
• Apoios em campanhas de angariação de fundos, para qualquer nível da AEP.
• Colaboração pontual em actividades de formação informal.
• Organização de arquivos e trabalhos administrativos, etc., etc.
UMA VEZ ESCOTEIRO, SEMPRE ESCOTEIRO
Os seus membros podem ser:
a) membros individuais:
- antigos escoteiros e escoteiras;
- dirigentes ou escoteiros activos adultos;
- outras pessoas que não tendo pertencido ao escotismo se comprometam com os fins da associação.
b) membros colectivos:
- grupos de escoteiros da AEP;
- entidades que apoiem o Movimento Escotista.
A FAEP tem como órgãos nacionais (eleitos trienalmente em Conselho Nacional):
a) O Conselho Nacional
b) O Conselho Director
c) O Conselho Fiscal e Jurisdicional
A FAEP para melhor desempenhar a sua acção ao nível local, organiza-se em Núcleos Locais, junto de um ou mais grupos da AEP.
Em cada Núcleo, existe uma Equipa Coordenadora, eleita trienalmente pelos membros do Núcleo.
Para estabelecer uma melhor ligação entre os Núcleos Locais de uma determinada região, o Conselho Director poderá nomear delegados, que o representam localmente.
Dentro da limitação de disponibilidade dos seus associados, a FAEP desenvolve um leque variado de actividades, aos vários níveis, seguindo os ideais do Espírito Escotista e do Escotismo Adulto.
• Reforço do companheirismo, da coesão e da dinâmica de grupo;
• Acções de formação contínua;
• Apoio a actividades de protecção da natureza e do ambiente;
• Boas Acções colectivas;
• Apoio a actividades da AEP, a todos os níveis;
• Apoio a actividades de Protecção Civil;
• Apoio comunitário;
• Acampamentos;
• Caminhadas;
• Encontros de confraternização e reforço de amizades.
Núcleos Locais - a FAEP junto dos Grupos
Idealmente, os Núcleos Locais da FAEP nascem junto de Grupos da AEP, dos quais é oriunda a maioria dos seus associados.
Esta proximidade e ligação natural ao Grupo traz duas grandes vantagens para a AEP.
1.ª - Desenvolvendo acções ou actividades sociais conjuntas com escoteiros, sempre que solicitado e em ligação com os seus dirigentes, sendo, assim, uma valiosa fonte de recursos humanos com conhecimento e experiência sobre a prática escotista.
2.ª - A continuidade de uma ligação ao Escotismo, após a saída da AEP por motivos pessoais e/ou profissionais, cria mais oportunidades e sentimentos para que, mais tarde, estes adultos queiram regressar ao activo na AEP, como dirigentes.
O Escotismo Adulto em Portugal
A Fraternal dos Antigos Escoteiros de Portugal (FAEP) integra conjuntamente com a Associação das Antigas Guias (AAG), fundada em 29/3/92 e a Fraternidade Nuno Alvares (FNA) fundada em 30/3/55, o COMITÉ PORTUGUÊS DOS ANTIGOS ESCOTEIROS E GUIAS (designado por AEG) fundado em 6/7/92, entidade que tem como finalidade representar os Antigos Escoteiros e Guias de Portugal, perante as instâncias internacionais, especialmente no relacionamento oficial com a ISGF/AISG.
Como deve a FAEP interagir com a AEP?
A interacção da FAEP com a AEP pressupõe que haja sempre, da parte desta (das Regiões ou dos Grupos), convite dirigido à FAEP.
Esta interacção deve reflectir, a todo o momento, o carácter de apoio activo à AEP que é parte da MISSÃO da FAEP.
Este apoio activo pode traduzir-se…
• Na preparação de grandes acampamentos ou actividades;
• Na reparação de sedes, na sua construção ou na montagem de exposições;
• No contacto com as autoridades locais ou outras entidades;
• Apoios em campanhas de angariação de fundos, para qualquer nível da AEP.
• Colaboração pontual em actividades de formação informal.
• Organização de arquivos e trabalhos administrativos, etc., etc.
UMA VEZ ESCOTEIRO, SEMPRE ESCOTEIRO
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